Existem fortes probabilidades de ser necessário um entendimento governativo que envolva mais de um partido, sendo a combinação PS-PSD uma das possíveis.
Tendo em conta a animosidade que actualmente separa Passos Coelho e Sócrates, pode ser preocupante o futuro pós-eleitoral.
Correndo o risco de ter uma posição contra a corrente, devo dizer que: (a) tal não me parece preocupante; (b) creio que tudo mudará a 6 de Junho, incluindo a química relacional. O que preocupa mais seriamente é o saber se vamos ter Governo e Oposição concordantes com o programa de ajuda externa que está a ser negociado. Passo a explicar-me.
No contexto pré-eleitoral em que já entrámos, não se pode esperar contenção e consenso.
Cada contendor tenderá a alargar e a fazer subir mais alto a girândola do respectivo foguetório. As diferenças serão extremadas e alargadas até ao limite. Mesmo que para tal seja necessário tocar na questão da ajuda externa, sua inicial evitabilidade e sua posterior fatalidade. Também me parece razoável admitir que a 6 de Junho a poeira assentará muito mais depressa do que se pensa.
As posições estarão claras e os remoques cessarão, pelo simples facto de já não terem efeito eleitoral. Claro que se esperam diferenças face às anteriores legislativas.
O que então se passou foi a recusa da evidência da vitória minoritária do PS e a expectativa de o calendário da eleição presidencial oferecer um volte-face às Oposições. O que realmente se propiciou, com elevados custos, sobretudo futuros, por força e obra dos factores e protagonistas que todos conhecemos.
A diferença para agora tem duas faces.
A primeira consiste em o processo se não poder repetir, tendo mudado os factores e estando os protagonismos vacinados pelo erro cometido. A segunda face consiste, por muito que nos custe, na nossa perda de auto-governo e nos efeitos adicionais evitáveis que iremos suportar.
O que nos faz reverter aos dias que medeiam até à assinatura do acordo para ajuda externa.
Eles deveriam ser defendidos de tudo o que enfraqueça o nosso poder negocial.
Não parece difícil entendermo-nos para defesa do melhor para o País, no silêncio ruidoso das salas de negociação.
Todavia, as armas de arremesso usadas sob a forma de cartas e listas infindáveis de pedidos de informação, a maioria disponível e publicada e boa parte da restante impossível de estimar, traduz-se numa tentativa pueril de usar as contrapartes estrangeiras como árbitros de uma contenda que não lhes diz respeito.
Só nos prejudica, tal como o menino queixinhas que parava a aula, acabando por perder o respeito da professora e dos colegas.
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António Correia de Campos, Deputado do PS ao Parlamento Europeu
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