Angela Merkel e Nicolas Sarkozy reuniram-se ontem uma vez mais para definir as linhas mestras do novo tratado da União Europeia.
Depois de muitos avanços e recuos, de muitos encontros e de várias cimeiras, os representantes do eixo franco-alemão assentaram numa série de princípios que consideram decisivos. Os dois assumiram uma postura solene para anunciar o abandono definitivo das ‘eurobonds', reafirmar a independência do Banco Central Europeu, insinuar a união orçamental, determinar sanções automáticas para os países que não cumpram défices de 3% e declarar que o Tribunal de Justiça da União Europeia verificará se os orçamentos dos Estados-membros respeitam o princípio da regra de ouro, com saldos orçamentais correntes equilibrados ou excedentários, assim como a realização de uma cimeira europeia por mês.
Os líderes dos principais países de União Europeia e da zona euro vão ter pela frente quatro dias intensos e decisivos para salvar o euro. Sarkozy afirmou, há dias, que "não pode haver uma moeda única sem convergência económica... ou o euro explodirá". Para evitar a polémica entre os defensores de uma Europa de nações ou uma Europa federal, o presidente francês falou de uma Europa de governos pela qual passará o futuro da integração europeia. Ao mesmo tempo, a Standard & Poor's acabava com quaisquer veleidades que ainda pudessem existir em relação a uma possível Europa a várias velocidades. A agência de ‘rating' norte-americana advertiu ontem Alemanha, França, Holanda, Áustria, Finlândia e Luxemburgo, os seis países europeus com nota máxima - AAA - que correm o risco de sofrer um ‘downgrade' por causa dos problemas económicos e políticos do bloco europeu.
A semana será dramática para cumprir todas as etapas. Hoje chega à Alemanha o secretário de Estado do Tesouro norte-americano, Timothy Geithner, antes de viajar para França e Itália, onde manterá conversações com os respectivos líderes. Quarta e quinta-feira vários líderes europeus reúnem-se em Marselha no congresso do Partido Popular Europeu. Quinta-feira, a última reunião mensal do BCE em 2011 poderá produzir novas medidas de política monetária. Quinta-feira e sexta a cimeira crucial da União Europeia, em Bruxelas, vai analisar o plano do eixo franco-alemão. Um plano que altera a votação no seio do Mecanismo Europeu de Estabilidade, que substituirá o Fundo Europeu de Estabilização Financeira, da unanimidade para uma maioria qualificada de 85%. Se tudo correr como esperado, o novo tratado ficará pronto até Março de 2012 e a nova realidade deverá ser favorável a Portugal e aos demais países periféricos, mas também a todos os outros e o euro estará salvo e também a União Europeia. Se não...
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Francisco Ferreira da Silva, Subdirector
franciscofsilva@economico.pt
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