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Louçã critica as medidas anunciadas por Teixeira dos Santos para cobrir o 'buraco' de 550 milhões resultante do acordo entre Governo e PSD.
"Em vez de responder à crise, levantando a economia, o Governo quer afundar a economia", disse ontem Francisco Louçã, em Leiria, onde participou numa sessão sobre o Orçamento do Estado e a luta contra a crise, defendendo que os números do desemprego no país ontem revelados "confirmam-no por inteiro".
O coordenador do Bloco declarou que "o Governo confirmou hoje [ontem] as propostas que apresentou em conjunto com o PSD para cortes suplementares no investimento público".
"Cortes suplementares no investimento público querem dizer mais desemprego, cortes nos apoios sociais, o que quer dizer menos protecção aos desempregados e diminuição da actividade pública onde ela é precisa e ela é precisa na saúde, na educação, no apoio contra a pobreza", sustentou o responsável, referindo que "tudo isso quer dizer que o ano de 2011 será um ano dramático do ponto de vista económico e social".
Francisco Louçã alertou ainda que o país está "à beira dos 11%" de taxa de desemprego. "Ultrapassámos os 600 mil nos números registados e tanto desempregado não está nos números registados", observou, apontando ainda a existência de 80 mil pessoas que este ano perderam o subsídio de desemprego. "Vai haver 100 mil no próximo ano", antecipou.
O deputado bloquista acrescentou que em dois anos Portugal aproximou-se de "ultrapassar a barreira dos 400 mil desempregados que descontaram toda a vida para ter um apoio num momento difícil e não vão ter nada".
Para Francisco Louçã, PS e PSD "têm muita coragem para bater nos mais fracos".
"Eles são muito fortes contra os pobres, são muito fortes contra os desempregados, mas para pedir à PT que pague de 5.500 milhões de euros uma taxa de mais valia que permitiria, por exemplo, evitar a redução dos salários ou que duplica o corte do Serviço Nacional de Saúde, vem hoje [ontem] o ministro das Finanças dizer 'não, não, era só um
pedido, um apelo, paciência, eles não se interessaram pelo assunto'", comentou.
O líder do BE lembrou que "o Estado, a Caixa Geral de Depósitos, votou do lado do Banco Espírito Santo (BES) e dos outros accionistas para que o dinheiro escapasse aos impostos".
"Ora, é altura de dizer que o rigor fiscal, o rigor do orçamento, o rigor da justiça, o rigor do combate ao desemprego, do combate à pobreza, é disso que Portugal precisa para defender os mais pobres", acrescentou, sustentando que "as propostas do Bloco de Esquerda que incidem sobre a criação de emprego, sobre a recuperação da economia, sobre justiça fiscal" são uma resposta ao "problema nacional" do desemprego e da pobreza.
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