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Carlos Zorrinho admite que a taxa de impostos é alta, mas “na generalidade, necessária”. PS recusa ser co-autor do OE/2013 e admite até votar contra.
No final do primeiro ano de Parlamento de maioria PSD/CDS, em que o memorando da ‘troika', assinado também pelo PS, serviu de base a grande parte das políticas e do discurso político, o Diário Económico colocou frente-a-frente o líder parlamentar do PSD, Luís Montenegro, e o líder parlamentar doPS, Carlos Zorrinho. O resultado foi uma conversa crispada, com pontos de vista muito diferentes sobre o caminho a seguir, e onde ficou claro que as divergências entre os dois maiores partidos tendem a agudizar-se. O próximo desafio vai ser já o Orçamento para 2013, em relação ao qual o PS admite o voto contra.
Nota-se um maior afastamento entre PS e PSD. Está a chegar a altura de o PS fazer o que chamou de ruptura democrática?
Carlos Zorrinho: Depende mais do PSD/CDS do que do PS. O PS não defende o aumento de impostos. Consideramos que a taxa de impostos é normalmente alta, embora, na generalidade, necessária face às circunstâncias. O que defendemos é a criação de condições para uma maior actividade económica porque traz maior capacidade de captação de impostos. O PS tem o foco na economia real, nas empresas e no emprego. O PSD tem um foco muito contabilístico, na linha dos equilíbrios financeiros, e foi progressivamente ficando mais crispado.
Essa divergência terá consequências já no Orçamento para 2013?
Carlos Zorrinho: As pessoas que estão no Governo são, algumas delas, tecno e ideologicamente muito obsessivas, portanto, a escolha é muito ideológica. A receita falhou e o Governo tem dois caminhos: dizer ‘isto está a correr mal mas agora já não vamos mudar', e aí não tem o apoio do PS. Ou pensar: ‘bem, com alguma humildade vamos fazer aqui um caminho diferente, apostar mais no crescimento e no emprego'. Não desejamos a ruptura pela ruptura com a maioria. Desejamos é que o Pais rompa com esta política.
Não mudar a política pode significar o voto contra do PS no OE/2013?
Carlos Zorrinho: Neste momento, são possíveis todos os votos. Antes de ver o orçamento, não tomamos decisões.
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