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O PS defende que a eleição de François Hollande como presidente francês "mudou por completo a direção da política europeia", trazendo um "reequilíbrio", mas o PSD considera que o socialista "gorou" as expectativas e tem estado "demasiado apagado".
Em declarações à agência Lusa, o secretário nacional do PS para as relações internacionais, João Ribeiro, e o deputado do PSD e membro da comissão parlamentar de Assuntos Europeus António Rodrigues fazem balanços distintos dos primeiros 100 dias de mandato do presidente
da França, François Hollande, que se assinalam na quinta-feira.
"Há um facto incontornável, a Europa de hoje é diferente da de há 100 dias atrás, mesmo que seja ainda insuficiente já há mudanças significativas, como por exemplo o plano de 120 mil milhões de investimento para a Europa através do Banco Europeu de Investimento, uma ideia de Hollande, ou o último Conselho Europeu, que já materializou muitas das suas propostas", afirma o dirigente socialista João Ribeiro.
No entendimento de João Ribeiro, Hollande contribuiu "com uma visão mais equilibrada" para a Europa, que "já não é a direção única e exclusiva" da austeridade "que a senhora Merkel e o primeiro-ministro português queriam", mas que traz as "políticas do crescimento económico a par das políticas de disciplina orçamental".
"Com o predomínio das políticas de direita e conservadoras com que temos lidado nos últimos quatro anos será com certeza difícil que em 100 dias se consiga inverter tudo, mas os primeiros sinais são muito positivos e felizmente Portugal beneficiará dessa mudança em França, quer o primeiro-ministro português queira ou não", vaticina.
No entanto, se "os 100 dias da presidência de François Hollande tiveram o grande mérito de mudar por completo a direção da política europeia", João Ribeiro reconhece que "não houve uma concretização completa da agenda" dos socialistas europeus e que é preciso "continuar um caminho de insistência" em propostas como os 'eurobonds', os 'projectbonds' ou o reforço do papel do Banco Central Europeu.
O dirigente do PS considera que estes 100 dias de governação de Hollande permitiram acabar com "dois mitos": A França continua a ter a confiança dos mercados ao "emprestar, tal como a Alemanha, a juros negativos" e no segundo trimestre estancou a contração económica.
Já na opinião do social-democrata António Rodrigues, François Hollande "foi eleito com uma grande expectativa que fica de alguma forma gorada", apesar de reconhecer que passou muito pouco tempo desde o início do mandato.
"Esperar-se-ia um maior protagonismo por parte do presidente francês, nomeadamente fazendo alguma liderança partilhada com a Alemanha e outros Estados europeus na resolução dos problemas", afirmou o deputado 'laranja'.
"Apesar de serem apenas 100 dias, esta começa a ser a marca de uma presidência, o início dos mandatos marca sempre as presidências e há vários ecos em França, quer à esquerda, quer à direita, que dizem que a caracterização do François Hollande como um homem normal parece também conduzir a um exercício do poder de uma forma demasiado apagada", acrescenta.
O deputado do PSD, porta-voz do grupo parlamentar para as questões europeias, dá como exemplo o caso do presidente italiano, Mario Monti, que considera ter até um protagonismo por vezes mais relevante que o de Hollande.
"Criticava-se muito a liderança europeia entre Sarkozy e a senhora Merkel, e hoje em dia verifica-se que de facto nas discussões europeias a parte do presidente francês é partilhada por vários outros protagonistas europeus, como se viessem ocupar um espaço que os próprios franceses lhes deram", nota António Rodrigues.
Quanto aos temas da campanha eleitoral francesa e à tónica no crescimento económico, uma das bandeiras de François Hollande, o parlamentar do PSD considera que "não têm obtido também grande eco na maior parte da Europa".
"Acho que todos perceberam que em primeiro lugar há que resolver a crise e os problemas", declarou.
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