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Ensino Superior

Propinas afastam um terço dos alunos mais pobres

Pedro Quedas  
20/10/09 00:05


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Comunidade

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Cerca de um terço dos alunos de baixo rendimento deixaram a universidade entre 1995 e 2005.

O aumento de propinas levou ao afastamento de alunos de famílias com baixos rendimentos.De 1995 a 2005, período em que foi introduzido o modelo de propinas nas universidades, o ensino superior ficou mais elitista. Foi esta a conclusão apresentada por Belmiro Cabrito na sua intervenção no FES 2009, conferência dedicada ao financiamento superior organizada pela Universidade de Lisboa (UL).

Segundo os números apresentados pelo professor do Instituto de Educação da UL, a percentagem de alunos de rendimento baixo no ensino superior desceu um terço nesses dez anos, especificamente de 12,5% para 8,5%. Quase todos esses alunos foram ‘substituídos' por estudantes que vêem de famílias de rendimento médio, com a percentagem a subir de 69,9% para 73,8%. A percentagem de alunos de rendimento alto e médio alto manteve-se essencialmente igual, passando de 17,6% para 17,7%.

Belmiro Cabrito comparou estes números com os dados da população geral do censo de 2001, que dividiam o país em 9,9% de rendimento alto e médio alto, 52,1% de rendimento médio e 38% de rendimento baixo. "O grau de equidade da universidade portuguesa, é bastante baixo, remetendo para uma universidade ainda de elites. Em termos evolutivos, o elitismo da universidade portuguesa agravou-se", conclui o economista. "Esta tendência é notória e deve-se provavelmente à nova política de propinas. Em 1995 a média de pagamento de propinas era de 300 euros. Em 2005 passou a ser de 900 euros".

A primeira intervenção do dia coube a Luísa Cerdeira, que apresentou algumas das conclusões retiradas de um inquérito realizado em 2005 a uma amostra de alunos universitários. No que respeita às propinas, os estudantes responderam que, se estas aumentassem menos de 50%, os alunos tenderiam a ir trabalhar para pagar os estudos. Se o aumento fosse para mais de 50%, a tendência é para abandonar os estudos, sendo que essa tendência é maior ainda no ensino privado.

"Os alunos consideram que o ensino superior é um bem público que deve ser suportado pelo Estado e não concordam que as propinas sejam um factor de melhoria da qualidade do ensino", lembra a administradora da UL. A maioria também discorda da criação de um valor da propina ajustado em função do rendimento esperado após a obtenção da formação superior.

O papel do Estado
Outro dos valores comparados na sessão remeteu para a comparticipação do Estado no financiamento do ensino superior, mantendo-se a tendência que aponta para valores de 44% para o Estado e 56% para os estudantes. "Não houve mudanças significativas no sentido de uma maior participação do Estado na prestação de um serviço público. Estes valores tornam-se ainda mais significativos se compararmos o dinheiro que cada um destes grupos tem à partida", comentou Belmiro Cabrito.
Nicholas Barr, professor inglês que esteve presente no primeiro dia da conferência e é conhecido como um dos maiores defensores do sistema de propinas, utilizou a sessão de debate para defender esse modelo. "É importante fazermos uma distinção. Uma questão é dizermos que o ensino superior deve ser acessível aos mais desfavorecidos, o que deve acontecer. Outra bem diferente é dizer que o Estado o devia disponibilizar de graça", defendeu o professor dando o exemplo de um bem essencial como o da comida. "Querer facilitar a compra de comida para famílias mais pobres não quer dizer que ela deva ser disponibilizada de graça para todos".

Em resposta a esta teoria, Belmiro Cabrito lembrou que, embora a compreenda, "num país com 38% dos seus cidadãos com rendimento baixo, recuso-me a acreditar que só 8,5% não sejam ‘atrasados' em relação ao resto da população".

 


Comentários

NapoLeão, | 20/10/09 08:01
O "entusiasmo" oficial para os jogos de futebol morre na praia quando se trata de investir no ensino. Está tudo dito ! Lwvámos 1 legislatura numa "guerra sem quartel" com os professores em que no final já ninguém tinha razão. Os alunos perderam em toda a linha !


d, évora | 20/10/09 08:31
Pois é, licenciatura não é para todos voltamos aos tempos antigos é só para quem tem pais que podem "bancar". Até mesmo um curso profissional não é para todos eu vivo em évora estive inscrita na universidade mas devido ao valor das propinas não pude continuar. Tentei um curo profissional não há porque tenho o 12º ano e pós laboral não há curso para a minha situação (laboral é impossível já que tenho de trabalhar...). Agora digam-me queremos-nos igualar à Europa???? Não, isto é areia mais uma vez para os nossos olhos. E de quem é a culpa??? Nossa. Somos nós que os pomos lá


Mario1982, | 20/10/09 08:55
Num país onde a maioria não é licenciada, e discrimina aqueles que querem estudar ao nível superior. Tomo por exemplo frases que oiço no dia a dia relativamente aos recem licenciados, frases discriminatórias, de inveja, escarnio e mal dizer. Somos um povo de analfabetos e mafiosos e não admitimos o sucesso dos outros, somos uma população envelhecida e conservadora, anti progresso. Onde estão os apoios aos mais novos e ao mesmo tempo mais fracos? Aos fabricantes do magalhães?


Mauricio, | 20/10/09 09:14
Se existem jogadores de futebol a ganharem 100000€ por mês, significa que só num mês estes homens de dois neuronios, iriam pagar a propinas a 111 pessoas!!
Logo vejamos, que o mal da nossa sociedade esta na mal distribuição dos dinheiros. Não querendo dar deixar de pagar bem a quem trabalha, acho que deveria haver um maior equilibrio. Os que ganham muito tem os melhores advogados para poderem roubar e sair bem, e ate capazes de alterar as leis, os pobres nao querem nem tem forca moral para o querer, os que pretencem a classe media que infelizemente encontra-se em vias de extinção lutam todos os dias para dar a melhor educação aos filhos e ao mesmo tempo pagar as contas ao estado! Enquanto uns jogam futebol ganham milhoes desterram esse dinheiro em porcarias e os que querem dar ensino e educação aos filhos, não podem. Pior mesmo um rapaz ou rapariga que queira estudar na universidade tem que trabalhar part-time, mas os cursos são tao mal lecionados que não permitem flexibilidade!
Enfim resta-me continuar a dar o meu melhor...


Saloio, Óbidos | 20/10/09 09:27
Os filhos dos ricos mesmo que sejam burros podem tirar cursos ditos superiores. Os filhos dos pobres não podem passar da cepa torta.
E para que serve a Constituição da República?


Karl Máximo, Idanha-a-Nova | 20/10/09 09:35
O ensino seuprior não deve ser gratuito, dado que, se as pessoas o frequentam, significa que esperam colher um benefício dessa mesma frequência, que envolve a afectação de vultuosos recursos. Mas o Estado não pode permitir que por causa das propinas as pessoas deixem de ter direito a um futuro melhor. Consoante a situação económico-financeira, menos ou mais grava das pessoas, o Estado deveria assegurar uma combinação (variável, consoante os casos) de empréstimos a taxas baixas e subsídios/bolsas, mas com fiscalização (quem não se lembra das histórias que se ouvam dizer de alunos com bolsa que exibiam melhores condições de vida que os que não tinham bolsa). Esta seria uma muito melhor aplicação dos fundos públicos do que a subsidiação de buracos cuja falência é somente adiada, por exemplo no têxtil (o que é que os respectivos empresários fizeram aos fundos comunitários), cujos filhos dos respectivos funcionários dificilmente terão um futuro melho que os pais.


jn, lisboa | 20/10/09 09:40
Certamente que este senhor não sabe o que querer por os filhos a estudar e ter um rendimento equiparavel ao ordenado minimo nacional, o seu provavelmente ser "ligeiramente superior"


Avançado, Coimbra | 20/10/09 09:41
Esta discriminação dos estudantes pobres é causada pelas brutais regalias que têm os func. do Estado, pois roubam a maior parte da população, obrigando-a a pagar brutais impostos.


Chuva, Lisboa | 20/10/09 09:51
Eu concordo com a teoria, temos de ter um sistema minimamente selectivo, senão qualquer um tirava um curso, eu estou agora a acabar um curso de Contabilidade, o meus pais fizeram grande sacrificio para eu chegar onde cheguei, e nunca me faltou nada, o ano passado consegui bolsa por merito proprio, porque culpam o Estado de tudo, porque não se esforçam as pessoas para conseguir alguma coisa, a vida não é facil, mas não podemos baixar os braços,
As propinas são muito elevadas, concordo plenamente, no meu instituto não ha condições para ter tanta gente, aí entrava o Estado a ajudar a arranjar condições!
Como em todos os Estados ha coisas mal feitas, no entanto, a nivel economico acho que as verdadeiras mudanças deveriam começar na nossa casa, os Portugueses têm de tentar mudar a sua maneira de pensar, vamos acreditar que isto esta a dar uma volta!


Olga, Fig. da Foz | 20/10/09 09:52
Há grandes injustiças. Eu estudei em Coimbra à 20 anos e tinha colegas bolseiros que andavam com grandes carros que os papás lhes davam e recebiam bolsa de estudo e aqui moi andava de comboio e a contar os tostões da mesada e a gerir o guito só porque os meus pais declaravam tudo o que ganhavam..


Miguel Peixoto, | 20/10/09 10:01
o melhor é realmente investir no TGV, para no futuro oslevar mais depressa a emigrarem!!! Isto sim é visao de futuro!!!


PEDRO PINHEIRO, Lisboa | 20/10/09 10:07
Em 2002 voltei à faculdade para iniciar uma nova licenciatura, trabalhava e estudava. Quando em 2004/2005, o aumento das propinas passou dos 420euros para os 990 euros, houve um decréscimo às aulas na ordem dos 50 %, é óbvio, grande parte dos alunos tiveram de ir trabalhar para pagar as propinas. Igualdade de oportunidades quando os recursos são tão diferentes não existe, é uma farsa, muitos colegas não tinham dinheiro sequer para tirar fotocópias, quanto mais livros. No ano seguinte 2006/2007, aumentaram o numero de alunos inscritos, era uma forma de esconder o absentismo ás aulas e rentabilizar, esta é a nova faculdade do estado. Já ouvi rumores que pretendiam passar dos 900 euros para 1800 euros. O mérito de entrar para uma faculdade pública já não é nenhum, pois, vou ter de pagar tanto como numa privada. Os pobres que tinham mérito podiam vingar na faculdade pública, ainda assim pagavam, estadia e alimentação, e fotocópias. Agora, pretendem limitar estes alunos que tinham mérito, pois entravam pelas suas notas, com o pagamento de algo, que para o conseguirem ou fazem empréstimo ou vão trabalhar, sociedade justa, esta, hipócrisia. Onde está, ou quem assegura o mérito? Igualdade de oportunidades?


antonio, coimbra | 20/10/09 10:10
è muito triste pessoas pensarem assim, e são estas mesmas pessoas que acham que o salário mínimo não deve aumentar, a classe baixa paga propinas, paga rendas, endivida-se, não consegue poupar mas vive no mesmo mundo e o que estes artistas se deviam lembrar é que uma geração da sua família irá enfrentar a mesma situação de pobreza e que quando passarem para este lado lhes vai custar a dobrar por não estarem habituados, porque pior do que pertencer ao terceiro mundo, é estar a caminhar para lá...


tyutyu, | 20/10/09 10:12
MAS ha dinheiro para salvar os ladroes como foi no bancos, ha dinheiro para quem nao faz nada , ha dinheiro para festas e estadios ha dinheiro para quem deita a abaixo nossa sociedade civil com corrupçao.portugal no seu melhor estou mortinho por uma nova revoluçao serei um da fila da frente ,o meu muito obrigado.


vg, | 20/10/09 10:14
Estes serão os que não vão ao concerto dos U2(ou ,se calhar até vão)


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