Para quem está no poder, um novo ciclo assenta na avaliação combinada do que foi feito com o que de novo se propõe.
Não por acaso, o PSD, assim que o PS apresentou as suas linha programáticas, veio chamar a atenção para as promessas não cumpridas nos últimos cinco anos. E, nesta legislatura, promessas não cumpridas é sinónimo de 150 mil postos de trabalho.
Sejamos claros: não fazem sentido promessas quantificadas em torno de objectivos cuja concretização não depende exclusivamente da acção governativa. Este é o caso da criação de emprego. Estando descartada a possibilidade de criar emprego público, o mais que o Estado pode fazer - e está longe de ser pouco - é criar condições que estimulem o emprego privado e intervir nos factores que alteram o padrão de especialização da nossa economia. Ora esta intervenção pública só produz efeitos no médio prazo e a sua avaliação não é compaginável com metas quantificadas.
Dito isto, o que é que aconteceu, de facto, aos 150 mil postos de trabalho? A resposta é simples: não fora a crise internacional, teríamos de facto assistido à criação líquida de 150 mil novos empregos durante esta legislatura. Mais, estes empregos representariam também uma transformação na estrutura de qualificações dos novos empregos. Teve o Governo responsabilidade nestes resultados? A resposta é sim. A discussão sobre este tema tem assentado num equívoco: estando a taxa de desemprego a subir, o Governo falhou automaticamente a promessa de criar postos de trabalho.
Acontece que o facto de terem sido destruídos 200 mil postos de trabalho não é necessariamente muito grave se forem criados outros tantos. É nisso que consiste a criação líquida de emprego, o total criado menos o total destruído. E o que se passou nos últimos anos é simples: entre o 1º trimestre de 2005 e o trimestre homólogo de 2008, a criação líquida de postos de trabalho foi de 97 mil, mesmo num contexto em que o emprego no sector público diminuiu. O que correspondeu a um aumento da população activa de 111 mil. O problema foi o que se passou após o 3º trimestre de 2008, quando fomos confrontados com as manifestações domésticas do "abalozinho" (para utilizar a memorável definição de Ferreira Leite para a actual crise mundial). A partir de então, o ritmo de destruição de emprego foi tal que deixou de ser compensado pela criação de novos empregos.
Ainda assim, se olharmos apenas para a criação líquida de emprego de indivíduos com habilitações equivalentes ao secundário e superior, temos uma surpresa. Mesmo face à crise, há hoje um saldo positivo superior a 200 mil postos de trabalho. Ou seja, o país está a perder muitos empregos, mas está a conseguir criar empregos novos mais qualificados. Mesmo no meio da crise, estamos a assistir a alguma modernização do mercado de trabalho.
Moral da história: nenhum Governo deve prometer o que não depende apenas de si cumprir, pois, mesmo se tiver algum sucesso, não poderá recolher os louros.
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Pedro Adão e Silva, Professor universitário
Comentários (10)
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Acções do PSI 20





os argumentos dos críticos esgotam-se na maledicência e nos insultos. até os investiemntos tecnológicos estrangeiros criticam. estão todos obsecados com o sócrates. em troca propõem nada, o vácuo. para esta táctica a crise internacional foi de facto uma benção porque se não fosse ela teriam que gramar o ladrão do sócrates mais 4 anos com maioria ablsoluta!
Ainda não vi ninguém levar em linha de conta quando se fala em produtividade e em PIB o correspondente ao que os proprietários das PME´s metem ao bolso. Por outras palavras, se fossem contabilizados os desvios (compras e vendas por fora) a produtividade aumentaria cerca de 30% e o PIB cerca de 1% e não estaríamos a divergir da Europa.
Há exemplos em que as áreas das casas desses senhores são maiores que as áreas das fábricas (isto não é anedota).
No presente, com o programa QREN há industriais que apresentaram projectos, receberam o dinheiro e depositram-no nos bancos recebendo os respectivos juros em contas pessoais.
Parabéns pela intervenção LL.
O dr. Pedro Adão e Silva deve pensar que andamos todos muito esquecidos e distraídos. è verdade que Sócrates tentou dizer o menos possível na sua vitoriosa campanha para as legislativas, curiosamente usando a mesma táctica que agora critica a Manuela Ferreira Leite. Mas descaiu-se várias vezes e não prometeu apenas 15 mil empregos. Também prometeu equilibrar as contas públicas e não aumentar os impostos. A realidade é bem distinta dessas promessas: poucos impostos não foram subidos e o buraco nas contas é maior do que o que encontrou.
O dr. Pedro Adão e Silva veste depois a pele de spin doctor e tenta dar a volta ao flagrante incumprimento da promessa com o argumento de a mesma "não faz sentido" (!) Se não faz sentido prometer, não prometa! O argumento de "então vocês não estavam mesmo a ver que essa proposta não era a sério" é um atestado de menoridade intelectual aos que acreditaram e votaram em Sócrates. Porque por muito que custe hoje a crer, houve muitos portugueses que depositaram em Sócrates e no PS a esperança de uma boa governação. É insultuoso vir hoje chamar-lhes parvos por terem acreditado num candidato que fazia promessas que "era obvio" que não ia cumprir. Talvez por ser "óbvio" para os especialistas, é que o dr. Campos e Cunha (1º ministro das finanças) deu uma entrevista à Exame onde, antes de ser nomeado, se demarcou dessa promessa. Porque não é politiqueiro e queria ter a cara lavada e não ser o alvo da chacota dos colegas universitários quando tivesse que afirmar com Sócrates que "não conhecia o estado das contas do país". Isso admite-se a um eng. da mula russa mas não a um catedrático! O cheque e a ruptura foram inevitáveis.
O dr. Pedro Adão e Silva segue a descrever um cenário idílico dos excelentes resultados do PS de Sócrates teria se... e se... e se... e se... e se... e se... e se... tivesse acontecido. Só falta pedir ao camarada Constâncio para calcular o deficit virtual do país se os rios de leite e mel fosse de verdade.
Lá para o fim do ano os xuxas vão acordar do sonho, que nós estamos fartos de viver neste pesadelo...
Das Promessas...
O objecto da promessa obedeçe a um primado do seu cumprimento, assente num padão de circunstâncias normais de ocorrência de factores que permitam o sucesso do objecto dessa mesma promessa. Ou seja o prometido é adquirido quanto maior for o controlo dos factores subjacentes ao sucesso da promessa.
Dorovante os Governos ao anunciarem as suas promessas devem enunciar conforme exemplo a seguir: Prometo, se tudo correr de acordo com os parâmetros normais de ocorrência dos factos, definidos nos anexos 9 e 10 do nosso programa, que vamos dar inicio à exploração espacial em 2010. Vai ser o ano do contacto.
Um governo que falasse verdade deveria dizer que o ajustamento da economia portuguesa se fará por via do emprego, Ou seja que o desemprego aumentará para níveis nunca vistos desde que existem estatisticas. Tal desemprego será estrutural, muitos desses desempregados nunca mais voltarão ao mercado de trabalho. Alguns jovens altamente qualificados que beneficiaram de bolsas de estudo pagas pelos contribuintes arranjarão felizmente emprego em grandes empresas, mas no estramgeiro. Aí serão pagos e tratados como os indianos e os chineses. Este foi o caminho escolhido pelos que dirigiram Portugal nos últimos anos.
1. Quem leu as "Perspectivas Económicas da OCDE n° 85" de Junho 2009 ( ISBN 978-92-64-05458-5) , ou pelo menos, o seu Capítulo 4 " Para além da crise : Desafios a médio prazo respeitantes à produção potencial, ao desemprego e as
situações orçamentais" sabe que INFELIZMENTE Portugal vai ter um crescimento anual do PIB potencial de 0,7 , o pior da OCDE, e cerca de metade da média anual da Zona do Eurodurante o ciclo 2011/2017 ( ver Quadro 4.2, pag 241) .
2. Assim, com tão fraco crescimento potencial anual, acho prudente não fazer muitas promessas quantitativas em matéria de emprego. Já no campo qualitativo parece possivel na Educação e da Formação formular propostas em linha com o formulado a nivel europeu na proposta para um compromisso comum a favor do emprego ( Junho 2009).