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Crise

Proença de Carvalho critica Cavaco por não promover bloco central

Rita Paz  
07/07/10 11:00

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O advogado diz que "nesta situação de crise que estamos a viver era de esperar que o Presidente desse mais ao país".

Em declarações à Renascença, Proença de Carvalho considera que, na actual situação, o Presidente da República deveria fazer todos os esforços para promover um entendimento de governo entre o PS e o PSD.

Perante as dificuldades do país "ambos os líderes dos partidos deviam empenhar-se em criar um governo forte, com um programa reformista, que estivesse à altura das dificuldades que estamos a passar". Nesse sentido, acrescenta, "o Presidente também tem alguma responsabilidade, de uma forma construtiva e pela legitimidade que tem, e porque no fundo é o ultimo guardião do interesse do país, tem um papel a desempenhar nesse sentido".

Proença de Carvalho não compreende que Cavaco hesite em promover o entendimento entre os dois maiores partidos, por estarem próximas as eleições presidenciais. "Aprecio muito políticos que assumem riscos, nomeadamente no interesse geral, políticos que não assumem riscos não são estadistas, a história faz justiça aos políticos que estiveram disponíveis para assumir riscos ainda que percam as eleições", sublinha o advogado.

"O sentimento dos nossos responsáveis devia ser salvaguardar os nossos interesses, independentemente de ganharem ou não. As pessoas estão na política para servir, e se numa altura como esta preferem fazer cálculos políticos, isso demonstra que não são estadistas", remata.

Apesar de se mostrar desiludido, o advogado considera que Cavaco continua a ser a melhor solução para Belém. "Globalmente tem sido um bom Presidente, embora me pareça que quando surgiu a grande crise, que ainda perdura, e em que era necessário tomar medidas importantes e sérias que exigem um poder político forte, o Presidente podia ter-se empenhado mais. Penso que podia ter dado mais ao pais do que deu", lamentou Proença de Carvalho, que nas últimas presidenciais apoiou Cavaco Silva.

O advogado conclui: "mais do que uma cooperação estratégica com o Governo, que também teve os seus altos e baixos, o fundamental era que o Presidente pudesse apontar caminhos e reunir consensos necessários para se encontrar soluções".

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