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Finanças

26 Nov 2012

Privatização da Caixa Seguros foi adiada para o próximo ano

Raquel Carvalho
Privatização da Caixa Seguros foi adiada para o próximo ano

A previsão apontava para a venda desta área do Grupo CGD até ao final deste ano.

Ficou adiada para 2013 a alienação da Fidelidade Mundial, da Ok! Teleseguro, da Multicare, bem como de todas as seguradoras pertencentes ao grupo Caixa Geral de Depósitos. A venda estava inicialmente prevista para ser concretizada até final deste ano, mas a decisão acabará por ser tomada apenas no próximo ano. É que ainda nada está decidido.

A ideia de que 1/3 do sector segurador vai para as mãos de estrangeiros é, por enquanto, uma especulação e ainda não se sabem os moldes do negócio. As últimas estimativas davam conta de que a CGD pretendia vender o Grupo Caixa Seguros por 1,5 mil milhões de euros, um valor que foi considerado muito elevado para parte dos representantes do sector. E até agora, não houve mais desenvolvidos no factor preço e se a venda vai ser em bloco. Porém, no final do ano passado, vários responsáveis de seguradoras estrangeiras defenderam a venda em separado dos diferentes activos da ‘holding', de forma a facilitar o processo de privatização e a reforçar a concorrência no sector.

Esta é mesmo uma questão sobre a qual os grandes grupos seguradores têm vindo a ser questionados, mas até agora, ninguém parece estar preocupado com a probabilidade de vários negócios avançarem, revelando também que uma possível venda a estrangeiros não tem necessariamente de ter um impacto negativo no sector.

Em entrevista dada ao Diário Económico a semana passada, David Long, CEO da Liberty Mutual, quando questionado sobre um eventual interesse da Liberty na compra do ramo de Seguros da CGD, foi peremptório: "Quando a altura chegar, analisaremos. Tal como fazemos sempre". Quanto à agitação que esta operação poderá provocar no sector, afirmou que "gosto sempre de agitação no mercado. A instabilidade pode criar oportunidades para melhorar o negócio". David Long frisou durante que o grupo já leva 100 anos de História e que por isso, está habituada a adptar-se. "Portanto, lidar com essa agitação é uma das coisas que fazemos bastante bem", adiantou, acrescentando que a Liberty não está actualmente a avaliar nenhuma outra aquisição no mercado nacional.

Sobre esta questão do mercado segurador português estar a revelar-se atractivo para grandes grupos estrangeiros, Pedro Seixas Vale, presidente da Associação Portuguesa de Seguradores, afirma que "o modelo de negócio segurador tem na sua génese, na sua definição e na sua operação uma dupla valência: distribuído numa base nacional, gerido numa base internacional". Na sua opinião, "numa Europa que se prevê mais integrada no futuro, o conceito de origem do capital é menos importante, sendo substituído parcial ou totalmente pela localização da empresa, seu âmbito de actuação e o seu modelo de gestão". O responsável garante que o mais importante "é o factor da qualidade da empresa". Nessa linha de pensamento, Pedro Seixas Vale, não vê de forma negativa a venda de seguradoras nacionais a grupos estrangeiros, frisando esperar que "qualquer modificação contribua significativamente para um mercado de seguros respeitado, credível, inovador e capaz de saber zelar pela protecção pessoal e patrimonial dos cidadãos e instituições portuguesas".

De frisar que até agora, que o sector segurador, e de acordo com Pedro Seixas Vale, tem vindo a demonstrar "um modelo de negócio sustentado e todo o suporte internacional, via resseguro, manteve-se incólume". O responsável garante ainda que "os poucos casos de necessidade de aumentos de capital foram resolvidos pelos acionistas" e que "a independência em relação ao Estado foi, e é, total, neste domínio".

De referir também o negócio de venda da Real Vida Seguros, seguradora que pertencia ao grupo BPN. Já se sabe existirem três investidores interessados. Porém, os nomes não foram revelados, bem como os pormenores do negócio. Recorde-se ainda que no ano passado a Victoria Seguros foi vendida pelo grupo alemão Ergo ao grupo francês SMAB.

 

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