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Análise Económica

30 Mar 2012

Previsões intercalares da OCDE

Teresa Gil Pinheiro, do Departamento de Estudos Económicos e Financeiros do BPI
Previsões intercalares da OCDE

A OCDE publicou as previsões intercalares, antecipando cenários menos negativos do que os traçados no final de 2011.

Os EUA, crescerão pouco menos do que 3% na primeira metade de 2012 e as três principais economias da zona euro entrarão em recessão no final do primeiro trimestre, iniciando posteriormente um percurso de gradual e frágil retoma. No conjunto do ano, a zona euro globalmente deverá crescer marginalmente (0.2%).

A publicação das previsões intercalares da OCDE está marcada pela redução do risco de materialização de factores negativos para o crescimento global. A redução destes riscos prende-se com a menor incerteza quanto à política fiscal norte-americana - o fim do período de vigência da redução de benefícios fiscais, antecipa uma melhoria da situação fiscal em 2013 - e pela redução das tensões no seio da zona euro, associadas à injecção de montantes avultados de liquidez no mercado por parte do banco central. A percepção do desanuviar de alguns riscos é evidente, por exemplo, no comportamento de alguns índices bolsistas, sobretudo norte-americanos, que registaram valorizações consideráveis ao longo do primeiro trimestre, bem como na redução dos CDS do sector bancário, ainda que permanecendo em níveis historicamente elevados.

Ainda assim, o documento chama a atenção para o facto das actuais previsões continuarem sujeitas a um elevado grau de incerteza, continuando a ser premente a implementação/definição de medidas dinamizadoras da actividade empresarial.

A evolução do preço do petróleo voltou a constituir um factor de risco para a recuperação da economia e comportamento da inflação. Desde o início de Fevereiro, o preço desta commodity aumentou 10 dólares o que teve um impacto de 25 pontos percentuais na inflação dos países pertencentes a OCDE. Outros factores passíveis de limitar o crescimento a nível global prendem-se com os sinais de moderação do ritmo de expansão do comércio internacional e da actividade nas economias emergentes, com destaque para a chinesa.

A avaliação da actividade nos EUA é positiva, revelando a melhoria de factores fundamentais. Destes destaca-se a redução dos níveis de endividamento das famílias - de níveis próximos de 140% do rendimento disponível em 2007 para um nível inferior a 120% em 2011; a queda do desemprego e consequente melhoria do sentimento, do consumo e por fim da produção industrial. Ainda assim, o mercado imobiliário, em queda desde 2007, permanece débil. Relativamente ao mercado de trabalho, refere-se que embora seja notória a queda da taxa de desemprego importa ter presente que a taxa de actividade continua em níveis mínimos, sugerindo que uma parte importante da população em idade activa ainda não voltou ao mercado de trabalho através de uma procura activa de emprego.

Na zona euro, as perspectivas de crescimento são anémicas. Depois de um crescimento de 1.6% em 2011, o produto deverá avançar apenas 0.2% em 2012, reflexo das políticas de consolidação fiscal e desalavancagem do sector financeiro implementadas na maioria dos seus países membros. Um factor primordial na zona euro prende-se com o restabelecimento da confiança dos agentes económicos sendo por isso, segundo a OCDE, importante o reforço dos fundos de estabilidade financeira europeus. Este organismo estima que estes fundos deverão ser reforçados para um montante próximo de 1 bilião de euros, incorporando eventuais necessidades adicionais de apoios financeiros aos membros. Neste capítulo chama-se a atenção par o facto de na passada sexta-feira, ter sido aprovado o aumento do fundo para 800 mil milhões de euros. Ainda na zona euro, refere-se a necessidade de prossecução de reformas no mercado de trabalho, regulação do mercado de produto, alteração do sistema fiscal e fortalecimento da integração dos mercados.

 

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