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O presidente da União Europeia desloca-se hoje a Atenas para conversações com responsáveis do Governo, uma visita que antecede em poucas horas o regresso crucial à Grécia dos chefes da missão da 'troika' de credores.
A Governo de coligação "direita-esquerda", dirigido pelo conservador Antonis Samaras, está a tentar desesperadamente obter um prazo suplementar de dois anos, até 2016, para o saneamento das finanças públicas, uma das exigência dos credores internacionais (Comissão Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional), e prepara-se para um outono quente, com o regresso das manifestações de protesto e a perspetiva de uma nova greve geral.
Além do prazo suplementar de dois anos solicitados por Atenas para cumprir os objetivos orçamentais, Rompuy deverá também abordar a questão crucial do prosseguimento da recapitalização dos bancos gregos e a concretização do mecanismo de supervisão bancário europeu.
O Executivo de coligação vai por seu turno tentar obter a aprovação pelos inspetores da 'troika' de um programa que permita economizar 11,6 mil milhões de euros em 2013 e 2014, e convencer os deputados gregos a votá-lo rapidamente, provavelmente antes do final de setembro.
Em causa está designadamente a concessão de uma nova 'tranche' de 31,5 mil milhões de euros da linha de crédito acordada pela zona euro e o FMI - no âmbito do segundo memorando de entendimento avaliado em 130 mil milhões de euros -, e justificada para evitar a falência e assegurar a manutenção do país na zona euro.
No entanto, as novas medidas de austeridade estão a aumentar o descontentamento de uma população muito penalizada nos últimos dois anos e meio, num contexto de profunda recessão económica, que se prolonga há cinco anos, e com um desemprego que já ultrapassa os 24 por cento (55 por cento entre os menores de 25 anos).
De acordo com um responsável do Ministério das Finanças, citado pela AFP, o novo pacote de medidas será "provavelmente" apresentado aos inspetores da 'troika' na tarde de domingo, durante um encontro com o ministro das Finanças, Iannis Stournaras.
Em paralelo, os grandes sindicatos do setor privado e público (GSEE e Adedy) e os partidos de esquerda decidiram assinalar o fim do "interregno" motivado pelos processos e eleitorais de maio e junho e a "pausa estival" com uma manifestação no sábado em Salónica (norte), sob o lema "Todos juntos para quebrar as cadeias do
memorando".
Durante a semana, diversos setores profissionais já se mobilizaram em protesto contra os anunciados cortes salariais ou aumentos de impostos, enquanto os líderes sindicais admitiram a "inevitabilidade" de uma nova greve geral.
Desde o início da crise em 2009, a Grécia confronta-se com o seu quarto orçamento de austeridade, e com o seu quarto Governo.
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