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Os empresários portugueses desvalorizam nova ofensiva do governo venezuelano contra o sector privado.
O presidente Hugo Chávez não desiste da sua "guerra económica" contra a "burguesia" e as empresas privadas na Venezuela. Desta vez, ordenou uma intervenção estatal em 80 empresas, pertencentes a banqueiros processados por "irregularidades" e decretou a expropriação de três outras companhias acusadas de praticar "violação de preços", anunciou Chávez no seu programa de rádio e televisão "Aló Presidente". Foi também confirmada a "aquisição forçada" das empresas Envases Internacional e Aventuy, fabricantes de embalagens de cartão e alumínio.
Culpando o sector privado pelo aumento da inflação (30%) e pela recessão económica que atinge a Venezuela - a economia caiu 5,8% no primeiro trimestre de 2010 - e que irá continuar pelo menos até 2011, o presidente já nacionalizou várias empresas nos sectores petrolífero, alimentar, cimenteiro e metalúrgico.
Sem dizer o nome das empresas que agora serão alvo de intervenção, Chávez disse que as mesmas pertencem a "banqueiros que roubaram e saquearam", referindo-se à crise bancária sentida na Venezuela no final de 2009.
Nessa altura, cerca de uma dezena de pequenas instituições bancárias (7% do sistema financeiro venezuelano) sofreram uma intervenção estatal , devido a "irregularidades na sua administração. Alguns destes banqueiros estão presos na Venezuela, e outros estão nos Estados Unidos", fugidos à justiça venezuelana que decretou a prisão de 30 executivos bancários, sublinhou o presidente.
Na mira do presidente da Venezuela estão também grandes grupos económicos, a começar pela Polar, a maior empresa produtora e distribuidora de alimentos do país, que Chávez já ameaçou nacionalizar (ver caixa). O país está envolvido em litígios a nível internacional com a Exxon Mobil e a ConocoPhillips, e também com a cimenteira mexicana Cemex SAB.
Empresas portuguesas distanciam-se da política
A maior parte das empresasportuguesas presentes na Venezuela prefere não comentar a nova onda de nacionalizações que Hugo Chávez acaba de prometer para aquele mercado.
Contactadas pelo Diário Económico várias empresas optaram por se escudar atrás de um "não comentamos situações políticas".
Adelino Silva Matos, da A. Silva Matos, um dos empresários que em 2008 integrou a comitiva oficial do primeiro- ministro à Venezuela em declarações ao Diário Económico adiantou que "claro que estas situações mudam a perspectiva com que olhamos para aquele mercado". O empresário vai mesmo mais longe e adianta: "Neste momento não estou a pensar em investir na Venezuela, apesar de ter assinado um protocolo de intenção para as energias renováveis, mas se estivesse teria que ser tudo escrito preto no branco para evitar dissabores. Os empresários têm que salvaguardar as suas empresas, assim como o governo de Hugo Chávez tem que salvaguardar os interesses do seu país".
Posição oposta tem o presidente da Atral Cipan, Carlos Novais Araújo. "Esta onda de nacionalizações não altera em nada a nossa relação com a Venezuela", adiantou o responsável. A Atral Cipan assinou, no âmbito da visita do primeiro-ministro à Venezuela, dois acordos. O primeiro, uma carta de intenção, que tem como objectivo estudar a viabilidade económica de uma fábrica chave na mão para a produção de antibióticos. A construção ficará a cargo do governo da Venezuela. O segundo é um contrato de fornecimento de medicamentos para o ministério da Saúde.
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