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Stournaras

"Precisamos de mais tempo"

Luís Rego  
26/06/12 16:40


Yanis Stournaras, o novo ministro de finanças grego, em entrevista ao Económico concedida em Atenas no mês de Maio, avisa que o país não pode cumprir meta do défice em 2014, precisa de mais tempo.

O economista que negociou a adesão da Grécia à zona euro foi nomeado ministro de finanças grego. Yanis Stournaras, ex-director do Think Tank IOBE em Atenas e até há dias ministro do desenvolvimento da equipa de Lucas Papademos, reconhece erros políticos na história recente do país, refuta a recorrente culpabilização na crise do euro, admite um terceiro resgate, um maior perdão da dívida mas avisa que o país precisa de mais tempo para cumprir metas do défice.

O programa de governo parece estar definido para muitos anos na Grécia ou é possível mudar de política?
Mudar não, mas há melhorias a fazer. Fala-se de uma onda de crescimento na Europa e há também a possibilidade de corrigir alguns erros. Foi um erro aumentar impostos e cortar investimento público na Grécia, devíamos ter feito tudo o resto mas com isto provocámos uma recessão. Nos últimos quatro anos vamos ter -18%, contra uma estimativa do FMI de -7,5%. É daqui que vem a revolta das pessoas. Mas há esperança.

Onde?
O caminho é longo mas mais de metade já está percorrido. Começámos com défice de mais de 16% do PIB e acabou em 9% no ano passado, queremos reduzi-lo para 2% e não será possível até 2014, precisamos mais tempo.

Até podem reduzir o défice mas a dívida é mais difícil. E dentro de pouco esta vai ser quase toda detida por países e instituições internacionais. A próxima reestruturação vai tocar aos contribuintes de outros países?
Espero não chegar aí mas não pode ser excluído. Os mercados estão em pânico e não vão abrir tão cedo. Nem para a Grécia nem para outros países do sul. Não vejo porque não ter um terceiro pacote de ajuda, em que a Grécia paga os seus juros e empréstimo. Os países no Norte são um porto seguro de fundos, os seus juros soberanos caíram de forma dramática. Não vejo porque não reciclar estes excedentes. Os mercados já o fizeram mas agora não estão preparados para o fazer.

Na Grécia, quais são os sectores para crescimento, à parte do Turismo ou cultura?
Há muitos. A começar na Agricultura onde há produtos excelentes que precisam de empreendedorismo. O azeite grego (...), a aquacultura (...) a comida dietética de alta qualidade. Há tantos produtos agrícolas que se podem colher em Creta e no outro dia estão no supermercado em Berlim.

Não tem o mesmo valor acrescentado que o sector automóvel...
Sim mas há outros sectores muito competitivos. Matérias-primas como mineração ou alumínio. E o turismo não é sol e praias, temos montanhas, temos estâncias de ski...

A imagem da Grécia foi muito prejudicada. Como se reconstrói a marca do país?
Já tivemos em situações muito difíceis, depois de guerras e ditaduras. Conseguimos sempre.

O que correu mal na Grécia?
Muitos erros do nosso sistema político mas não só. Fala-se muito na Grécia mas houve erros estruturais no desenho institucional do Euro. Mas sair do euro agora tornaria a situação ainda pior. Os padrões de vida cairiam muito mais. Há partidos que não querem respeitar os acordos mas esquecem-se que na mesa de negociações não está Franklin Rosevelt ou Keynes - está a senhora Merkel.

Esteve nas negociações de adesão. A Grécia falsificou as contas de forma deliberada para entrar no euro?
Não houve qualquer falsificação. O problema com o défice que disparou [em 2009] para 16% tem uma explicação. Quando o governo da Nova Democracia entrou em 2004 decidiu contabilizar os gastos com defesa [que são 5 ou 6% do PIB] em contabilidade pública [critério de caixa] e não com o critério de entrega. Fizeram-no para aligeirar o impacto no futuro. O Eurostat pediu para se aplicar o mesmo critério para trás [aumentando o défice anterior]. Há muita hipocrisia nesta história de que não devíamos ter entrado no euro.

Como assim?
Mesmo com este registo do défice, em 1999, ano que contava para entrarmos no euro, o défice foi de 3,07%, ou seja só falhámos por menos de uma décima. Mas isto foi ridicularizado em vão. O Eurostat aceitou estes dados sem os questionar. Em 2006 a Eurostat adoptou o método de entrega para gastos com defesa e nunca voltou para corrigir os dados deixando o país com esse rótulo. Se se fizer o mesmo critério para outros países da zona euro em 1997, data que contava para apurar a adesão da maioria, há muitas surpresas. A França por exemplo entrou com 3,4%...





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