Portugal é o quarto país da União Europeia onde a precariedade mais atinge os jovens que conseguem emprego. Mais de metade dos jovens até aos 24 anos com emprego têm trabalho precário, segundo a OCDE.
O Banco de Portugal tinha estimado que em cada dez empregos criados, nove são precários. E é tudo o que esta sociedade e os seus governos têm para oferecer ao futuro do país, a sua juventude: trabalho precário. Tudo, enfim. A excepção para a regra é a "boysada" das juventudes partidárias para quem, como nos antigos autocarros, há sempre 40 lugares sentados e pagos.
A única alternativa à precariedade que o pensamento económico e político, único e fundamentalista, tem para propor aos jovens é mais liberdade para despedir. Mas essa é uma alternativa de pacotilha, de vendedores de banha da cobra. O raciocínio dos "talibans" do neoliberalismo é básico, nesta matéria como em tudo: "flexibilizando" as leis laborais, de modo a liberalizar o despedimento, o patronato correria menos risco a contratar assalariados, o que diminuiria os contratos a prazo. Ou ainda: podendo despedir facilmente quando estão em dificuldades, as empresas passariam a contratar mais trabalhadores quando a situação se tornasse mais saudável. Tretas. Facilitando os despedimentos, todos os assalariados passariam, mais tarde ou mais cedo, à condição de precários. O precário é um trabalhador descartável, como o seria qualquer assalariado com legislação para despedimentos mais "flexível" - que é uma expressão inventada pelos tecnocratas para adoçar situações dramáticas de despedimento e desemprego.
O cenário do Portugal futuro é uma paisagem lunar em matéria de direitos sociais e de dignidade humana. Trabalho precário para pessoas descartáveis. E chamam a isto "Democracia" e "Estado Social".
joaopaulo.guerra@economico.pt
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