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Poupança e alguma dose de risco são os ingredientes para chegar à velhice com um pé-de-meia confortável.
Quantas vezes já sonhou com o Euromilhões? Provavelmente, pelo menos uma vez por semana. É certo que ganhar o primeiro prémio deste jogo é um privilégio ao alcance de um número reduzido de sortudos. Mas construir um pequeno ‘jackpot' está ao alcance de quase todos. Tudo se resume a poucas palavras: poupança e alguma dose de risco. Esses são os ingredientes-chave que os especialistas aconselham a ter em conta na altura de constituir um complemento de poupança para a reforma.
Na semana em que o Governo anunciou que vai antecipar o aumento da idade da reforma na função pública dos actuais 62,5 anos para os 65 anos, numa altura em que sobem de tom as preocupações dos portugueses em relação ao futuro das suas reformas, o Diário Económico pediu ajuda a vários especialistas para saber quanto é que uma pessoa tem de poupar por dia para chegar à velhice com um ‘mini -jackpot' de 250 mil euros para gastar até ao fim da vida.
As simulações elaboradas pela Optimize- sociedade gestora especializada em produtos financeiros para a reforma- mostram que se uma pessoa começar a poupar aos 35 anos cerca de oito euros por dia e os aplicar num produto financeiro, com uma exposição considerável a acções e uma rendibilidade média anual líquida de 6% conseguirá acumular, quando chegar à idade da reforma, 250 mil euros. Um valor que será distribuído numa renda mensal vitalícia que poderá oscilar entre os 965 euros (no caso de ser uma mulher) e os 1.155 euros, no caso de ser um homem.
No tema da reforma, o ditado popular que diz "quem não arrisca não petisca", assenta como uma luva. Isto porque se a mesma pessoa optar por colocar as suas poupanças num produto mais conservador, com uma rendibilidade média de 2%, terá de fazer um esforço maior para conseguir chegar ao objectivo dos 250 mil euros. Contas feitas: em vez dos 8 euros diários, terá de poupar o dobro, ou seja, 16,7 euros por dia. Por estas razões, Diogo Teixeira, administrador da Optimize, é um dos defensores de que os investidores devem aplicar em produtos sem garantia de rendimento anual, quando o objectivo é construir um pé-de-meia para a velhice. E explica porquê: "O objectivo é muito simples: diminuir o valor da poupança necessária para atingir um capital de reforma significativo. Entre uma rentabilidade anual líquida de 2% ou de 6%, o esforço de poupança é diminuído em cerca de metade para uma pessoa de 35 anos que investe um valor fixo anual até à idade da reforma".
Também Gonçalo Gomes do ActivoBank7 corrobora com a ideia de que a longo prazo o risco joga a favor dos investidores. "A maioria dos investidores associa os PPR aos seguros capital garantido. No entanto, considerando que os prazos de investimento nestes planos são normalmente muito alargados, somos da opinião de que (com excepção dos investidores com maior aversão ao risco), a garantia de capital poderá ser mais contraproducente do que um verdadeiro benefício", adverte o especialista do banco ‘online'. Mas qual será então o peso ideal que as acções deverão ter num portfólio com vista à reforma? Gonçalo Gomes refere que para o caso de um investidor com um horizonte temporal de 10 ou mais anos, com um perfil de risco equilibrado, "a repartição ideal [da carteira] será de 50% em acções, e de 50% em obrigações".
Uma dúvida muitas vezes colocada é saber qual é a melhor aplicação financeira a ter em conta para investir as poupanças com vista à reforma. A resposta a esta questão é: depende. Depende dos objectivos do investidor, da sua idade e do seu perfil de risco. Apesar da multiplicidade de produtos que já existem no mercado (ver caixas ao lado), Diogo Teixeira salienta três aplicações principais: os PPR, os certificados de reforma e os fundos de pensões (no âmbito empresarial). "Os outros produtos não oferecem o mesmo enquadramento legal , nem os mesmos benefícios fiscais", justifica o especialista. Independentemente das escolhas que fizer, há um dado a ter em conta: a inflação. Lembre-se de escolher uma aplicação que, no mínimo, cubra a inflação. Caso contrário, estará a perder dinheiro. Por exemplo, se tiver hoje 250 mil euros ‘debaixo do colchão' e não os investir, daqui a 30 anos esse montante valerá apenas 103 mil euros. O resto (147 mil euros) será engolido pela inflação, segundo uma simulação feita pelo ActivoBank7, estimando uma subida média anual dos preços de bens e serviços de 3%. O exemplo mostra que não basta poupar: é preciso escolhe criteriosamente onde aplica cada cêntimo do seu dinheiro.
Poupar o mais cedo possível
Não é apenas o risco que joga a favor dos investimentos a longo prazo. O tempo também. Quanto mais cedo começar a poupar, menor o esforço que terá de fazer. Se uma pessoa só começar a poupar para a reforma aos 45 anos, mesmo que aplique em produtos financeiros com exposição ao risco (imaginando uma rendibilidade média anual de 6%) terá de poupar por dia 17,6 euros para chegar aos 65 anos com um bolo de 250 mil euros. É mais do dobro do esforço de poupança que a mesma pessoa teria se começasse a poupar 10 anos mais cedo.
Os números mostram que, cada vez mais, a preocupação em poupar para a reforma está a enraizar-se na consciência dos portugueses. Os números de subscrições dos planos poupança reforma (PPR) relativos a 2009 mostram que as aplicações neste tipo de produto aumentaram 27%, face ao ano anterior para um total de mais de três mil milhões de euros. E não é difícil perceber a razão destas preocupações. As alterações introduzidas no sistema de segurança social em 2007- entre as quais se salienta a introdução de um factor de sustentabilidade para o cálculo das pensões- vieram diminuir o valor das pensões a receber pelas gerações futuras. Por exemplo, quem tem actualmente 30 anos e ganhe um salário bruto de 2.000 euros, receberá de reforma o equivalente a 41% do valor do seu último salário.
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