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Portugal oferece mão–de-obra altamente qualificada, sem emprego e com facilidade em dominar línguas.
Mais de dez mil portugueses responderam ao convite da cidade alemã de Schwäbisch Hall, que desafiou portugueses a fazer as malas e a concorrer aos mais de 2.700 empregos disponíveis. O convite feito pelo presidente da câmara desta autarquia numa reportagem do suplemento Universidades & Emprego do Diário Económico gerou uma avalanche de respostas que bloquearam as caixas de correio electrónico da agência de emprego da cidade.
Agora, os currículos estão a ser enviados para toda a Alemanha, mas a cidade responde que na hora de recrutar vai escolher pessoas que estejam sem emprego.
Este é apenas um dos sinais que comprovam a tendência de que cada vez mais portugueses estão a aventurar-se nos mercados de emprego internacionais para fazer face ao crescimento do desemprego em Portugal.
Emigrar parece garantir o casamento perfeito entre a oferta e a procura. Por um lado existem países sedentos de quadros, com salários médios elevados - o salário médio bruto na Alemanha é de 3.500 euros, em Angola é o dobro de Portugal e no Brasil é muito superior ao pago no mercado português -, mas também possibilidade de progressão na carreira em empresas que querem entrar em mercados emergentes que falam português. Por outro lado, Portugal oferece mão-de-obra altamente qualificada, sem emprego, com facilidade em dominar línguas e que pode ser é essencial para empresas que querem fazer negócios com países que falam português.
Só a Alemanha tem neste momento, cerca de 400 mil vagas para emigrantes qualificados. E os cidadãos dos países da União Europeia não precisam de visto de trabalho.
Brasil e Angola, mundos de oportunidades
A precisar de oito milhões de quadros até 2015, o Brasil continua a ser um mercado cheio de oportunidades de trabalho, sobretudo na construção civil, que é a área onde há mais falta de recursos qualificados no país, devido à aproximação do Mundial de Futebol de 2014 e dos Jogos Olímpicos de 2016. O país parece um enorme estaleiro e precisa de 60 mil engenheiros.
Muitas oportunidades estão também concentradas no sector do petróleo e gás devido à descoberta de novas reservas. Faltam técnicos especializados no trabalho de prospecção e gestão das actividades neste sector, que está a ser ocupado principalmente por estrangeiros de diversas nacionalidades.
No entanto, e apesar da evidente falta de recursos qualificados que o país tem, a dificuldade em obter o visto é um dos obstáculos com que os emigrantes se podem confrontar.
Também por causa da língua, Angola é outro dos destinos preferenciais dos portugueses. Precisa de profissionais qualificados para as áreas das tecnologias da informação, da formação profissional, dos serviços de ‘back-office' e do turismo.
O perfil dos portugueses que vão para Angola está a mudar. Hoje são, sobretudo, jovens profissionais, que levam a família, e que vão trabalhar para sectores cada vez mais diversificados, como a formação em recursos humanos e as tecnologias de informação, a par de sectores mais tradicionais como a construção.
A adaptação pode não ser fácil, mas compensa. "É difícil a adaptação a Angola, as pessoas têm de ser resilientes", opina José Bancaleiro, ‘managing partner' da Stanton Chase International, empresa de ‘executive search'. Porém, "a vantagem é que os salários compensam", lembra. "As pessoas vão ganhar pelo menos o dobro líquido do que ganham em Portugal", garante José Bancaleiro. Os salários são altos, mas o custo de vida em Luanda também.
Os mercados que oferecem mais oportunidades
Alemanha
- A Alemanha tem, neste momento, cerca de 400 mil vagas para emigrantes qualificados.
- Depois da cidade alemã de Schwäbisch Hall ter aberto as portas a talento estrangeiro, mais de dez mil portugueses concorreram às vagas.
- O salário médio na Alemanha ronda os 3.500 euros mensais, sendo que os engenheiros (uma das profissões com maior procura) recebem, em média, cerca de 4.340 euros por mês.
Angola
- Angola precisa de profissionais qualificados para as áreas das tecnologias da informação, da formação profissional, dos serviços de ‘back-office' e do turismo.
- Os salários chegam ao dobro do que são em Portugal.
- O processo de obter o visto de trabalho, válido por um ano, pode demorar um mês, implicando reunir uma lista extensa de documentação aprovada pelo Consulado de Angola.
Brasil
- O país precisa de 60 mil engenheiros devido à realização do Mundial de Futebol, em 2014, e dos Jogos Olímpicos, em 2016. Os sectores do petróleo e gás e das TI têm também muitas oportunidades de trabalho.
- A obtenção do visto e o reconhecimento do diploma por uma universidade brasileira podem ser dificuldades à entrada neste mercado.
- Os salários são mais elevados, mas o custo de vida é superior ao de Portugal, sobretudo em São Paulo onde vive a maioria dos portugueses.
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