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Portugal regressa hoje aos mercados para vender entre 1.500 e 2.000 milhões de euros em bilhetes do Tesouro com prazos de quatro meses e de um ano.
O Instituto de Gestão do Crédito Público (IGCP) anunciou na semana passada a intenção de realizar dois leilões de bilhetes do Tesouro (BT), com maturidades até 20 de julho deste ano e 22 de Março de 2013.
A linha de BT a um ano não estava prevista na programação inicial do IGCP, e foi acrescentada "devido à procura de investidores". Desde o início deste ano que o Estado tem alargado os prazos de emissão de dívida.
"Tencionamos continuar esse processo de emitir títulos do Tesouro com maturidade de 18 meses, relativamente em breve", disse na segunda-feira em Washington o ministro das Finanças, Vitor Gaspar. "Não temos ainda o plano muito detalhado do nosso caminho de regresso aos mercados depois de setembro de 2013, mas garanto que estamos a trabalhar muito nisso."
Os últimos leilões de dívida a curto prazo têm corrido bem ao Estado português. A procura tem superado a oferta, e a taxa de juro tem ficado abaixo da que é pedida no mercado secundário. Isso permite ao IGCP ir alargando as maturidades da BT.
No leilão mais recente, a 15 de fevereiro, Portugal colocou no mercado 3.000 milhões de euros a três, seis e doze meses. O Estado português pagou juros mais baixos que no leilão anterior em todas as maturidades, e abaixo dos 4 por cento na linha a três meses pela primeira vez em quase um ano.
As necessidades de financiamento do Estado português estão a ser satisfeitas pelo programa de assistência da 'troika'. Por isso, Portugal não tem emitido dívida de longo prazo; os investidores não veem grande risco em emprestar ao país em prazos curtos, que ainda ficam dentro das datas do programa.
O Governo tem reiterado a intenção de regressar aos mercados de longo prazo no segundo semestre de 2013, sem pedir mais financiamentos.
O comissário europeu para os Assuntos Económicos, Olli Rehn, disse na semana passada que a 'troika' poderia fazer uma "ponte" para o retorno português aos mercados de dívida. "Claro que, assim que Portugal comece a regressar parcialmente aos mercados, do verão de 2013 para a frente (...) é importante construir uma ponte para o período de regresso definitivo ", disse Rehn.
A emissão de hoje realiza-se poucas horas despois do Ministério das Finanças ter anunciado que o presidente do Conselho Diretivo do Instituto de Gestão da Tesouraria e do Crédito Público (IGCP), Alberto Soares, ter terminado "o seu mandato no passado mês de fevereiro e, a seu pedido, abandonará as funções no final do mês de Março".
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