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António Saraiva admitiu que Portugal vai ter de renegociar os termos do resgate acordado com a 'troika'.
"Não admito a saída do euro, da mesma maneira que tenho certo para mim que vamos ter necessidade de renegociar as condições, prazos ou montantes, que negociámos com os organismos internacionais, a chamada 'troika'", disse o líder da Confederação Empresarial de Portugal (CIP), presidente da CIP, em Lisboa.
António Saraiva, que falava à margem da 10.ª Conferência que debateu o tema "Alavancar a Lusofonia nas TIC" e foi organizada pela Associação Nacional das Empresas das Tecnologias de Informação e Electrónica (ANETIE), disse também que a União Europeia, na reformulação que vai ter de fazer, terá de encontrar formas de "preservar o euro".
"Não tenho dúvidas nenhumas sobre isso, agora, não é a panaceia para os nossos problemas (...) ficarmos de braços parados de cimeira em cimeira, até à próxima Cimeira, que é sempre aquela que nos vai salvar e depois vem a frustração, o desalento que elas nos trazem...", salientou.
Contudo, António Saraiva defendeu que "até lá, teremos que fazer o trabalho de casa, honrarmos os compromissos, mostrarmos credibilidade e sermos credores dessa confiança que temos que gerar àqueles que ainda nos vão emprestando dinheiro".
"Só demonstrando essa credibilidade, honrando os compromisso, Portugal terá mais autoridade para no momento em que necessitarmos de rever prazos ou os montantes termos acrescida legitimidade para os solicitar", explicou.
"Para mim, não tenho hoje dúvidas que isso [renegociação] vai ser necessário", realçou.
Por sua vez, Mira Amaral, que também falava à margem do evento, lamentou que o Governo não tenha sido até agora "particularmente afirmativo e incisivo" em tudo o que é reforma do Estado, ou seja, "na supressão de uma série de organismos públicos que são socialmente inúteis e que deveriam ser extintos".
O presidente-executivo do BIC referiu ainda que as suas palavras devem ser entendidas como "um estímulo ao Governo" para que "não esqueça todo o dossiê das reformas do sector público".
A mesma opinião foi reforçada por António Saraiva que disse que os partidos têm um discurso enquanto estão na oposição e depois quando chegam à governação.
"Gostaria que os partidos políticos, sem excepção, fossem coerentes, no momento em que vivemos e em que devemos falar verdade, pois num quadro recessivo quanto mais assertivo for no discurso, tanto maior adesão terá dos portugueses".
Sobre a reforma da administração pública disse que "está por fazer" esclarecendo: "Há que alocar os recursos humanos segundo as necessidades dos serviços e depois promover uma correcta reforma - Menos Estado e melhor Estado!".
"Há que ter a coragem política de a fazer. A reestruturação [na administração pública] vai gerar desemprego, mas temos que olhar em frente", concluiu.
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