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Cada português vai emprestar 194 euros aos gregos. Bruxelas cria mecanismo para evitar perdas dos países que ajudem a Grécia.
Cada português terá de contribuir com 194 euros, caso a Grécia active a totalidade do mecanismo de ajuda aprovado pela União Europeia este fim-de-semana. O valor ‘per capita' do empréstimo à Grécia é o quarto mais baixo dos países que compõem o euro, abaixo da média de 243 euros que cada habitante da zona euro terá de desembolsar e longe dos 417 euros que cada luxemburguês emprestará a Atenas. De referir, no entanto, que os financiamentos a Atenas deverão ser realizados através de emissões de dívida não afectando assim directamente o bolso dos cidadãos.
O reforço do pacote de ajuda europeia e do FMI para 110 mil milhões de euros obriga Portugal a desembolsar 2.064 milhões, quase três vezes mais que os 774 milhões definidos inicialmente. Mais: o facto da Grécia devolver o empréstimo com um juro de 5% já não garante lucro ao Estado português. É que o corte no ‘rating' levado a cabo pela Standard & Poor's na semana passada fez disparar as ‘yields' nacionais, que chegaram a estar acima dos 5% nos dias seguintes ao ‘downgrade'. Ou seja, para angariar o dinheiro para Atenas, Portugal arrisca-se a pagar um juro superior ao que vai receber depois. O que complicaria a condição exigida pela Alemanha e Comissão Europeia, de nenhum estado-membro perder dinheiro com a operação.
Mas ontem Bruxelas confirmou que, não só nenhuma das 16 economias do euro vai perder dinheiro, como também todas vão sair a lucrar com a ajuda. Num ‘briefing' com jornalistas, técnicos oficiais da Comissão explicaram que, em última análise, as economias que se financiam a juros mais baixos iriam compensar as perdas das que se financiam a juros mais altos. E explicou como: o lucro que os Estados-membros vão ter com os juros pagos por Atenas vão ser canalizados para um fundo europeu. Depois, esse bolo total é repartido por todas as 16 economias da moeda única, de acordo com a sua quota no BCE. Um factor que também serviu para calcular quanto é que cada país tem que emprestar. Por exemplo, Portugal tem uma participação de 2,6% no capital do BCE. Por isso, tem que contribuir com 2,6% do total de 80 mil milhões da ajuda europeia - os tais dois mil milhões de euros. Depois, de todo o lucro que a zona euro fizer em juros, a economia nacional volta a receber 2,6% desse valor. Uma lógica simples e que vai permitir ao Estado sair a ganhar com a operação, independentemente do juro que tiver que pagar para se financiar. De resto, fonte de Bruxelas confirmou que esta lógica foi construída a pensar em países como Portugal, que têm taxas de juro muito altas.
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