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Vítor Gaspar, vai poder contar com um montante, entre dois a três mil milhões, dos fundos de pensões da banca para pagar dívidas a fornecedores.
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A The Economist Intelligence Unit defende mais austeridade em Portugal com recurso a aumento de impostos.
Portugal vai necessitar de mais ajuda financeira nos próximos anos, o que implicará mais medidas de austeridade. Esta é a avaliação que a The Economist Intelligence Unit (EIU) faz no seu último relatório sobre Portugal, justificando esta ideia com o facto de Portugal não cumprir as metas definidas para o défice e as finanças públicas continuarem em desequilíbrio até 2016, o que dificultará o acesso aos mercados.
"Esperamos que seja necessário mais financiamento oficial em 2014-16, já que as finanças públicas vão continuar em desequilíbrio durante este período e o nível de credibilidade de Portugal não será considerado suficientemente para regressar aos mercados", lê-se no documento a que o Diário Económico teve acesso. Segundo a EIU, que fornece as previsões para a revista "The Economist", Portugal deverá registar um défice de 6% do PIB em 2012, e não de 4,5%, como está acordado com a ‘troika', e um ano depois, quando termina o programa de ajuda, o défice ainda estará nos 5%. Só em 2016, o desequilíbrio das contas públicas será inferior ao limite definido pelos critérios de Maastricht (2,5%). Estas previsões claramente mais pessimistas do que as do Executivo são explicadas pela EIU pelas fracas perspectivas de crescimento da economia.
"Prevemos uma redução gradual do défice em 2012-16, abrandada pela economia fraca, que reduzirá as receitas fiscais", sublinha a EIU. E quanto ao objectivo para este ano, será cumprido graças ao recurso a medidas extraordinárias, como o fundo de pensões da banca, que segundo o próprio primeiro-ministro permitirá obter um défice inferior a 4,5%.
A EIU reconhece ainda que o Executivo até pretende consolidar as contas públicas a um ritmo mais acelerado do que o acordado com a ‘troika', no entanto, "parece improvável alcançar esse objectivo tendo em conta o efeito negativo que o programa tem sobre o crescimento" (-4,1% em 2012). A unidade que fornece as previsões para a "The Economist" admite que o Executivo de Passos Coelho tem pouca margem de manobra face aos ditames da própria ‘troika', mas considera que tem "vontade" para levar por diante o programa de reformas exigido.
Se as reformas para aumentar a produtividade, como mais meia hora de trabalho diário, deverão resultar em "ganhos modestos", as alterações ao sistema judicial vão esbarrar numa área "particularmente intratável". A EIU reconhece que as políticas levadas a cabo pelo Executivo vão ser alvo de grande contestação social, até porque representarão "uma rápida queda nos padrões de vida" e, por isso, admite que "a estabilidade política ficará sob pressão".
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