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Portugal podia lidar melhor com a crise se há uma década o Estado tivesse começado a reduzir os défices, disse hoje Campos e Cunha.
"O país mais exemplar nesse aspecto é a Irlanda. A Irlanda tinha um problema parecido com o nosso, e seguiu sempre uma política de excedentes orçamentais. Quando se deparou com o problema bancário, pôde rapidamente resolvê-lo, e neste momento está muito à frente de nós, exactamente porque teve uma política de consolidação orçamental", disse Campos e Cunha à imprensa, à margem da conferência "O Papel da UE entre os EUA e os BRICS", organizado pela Faculdade de Economia da Universidade Nova de Lisboa.
Campos e Cunha nota que "a dívida pública irlandesa, antes da crise
[de 2008], era 25% [do PIB], a de Portugal era 70%", enquanto que, há vinte anos, "a dívida irlandesa era "70%, e a nossa era 40%".
Questionado pela Lusa sobre se teria sido politicamente possível em
Portugal ter excedentes orçamentais no período antes da crise global, Campos e Cunha (que foi ministro das Finanças de José Sócrates durante seis meses em 2005) respondeu afirmativamente.
"Teria sido necessário e, se fosse bem explicado, teria sido politicamente possível, assim houvesse líderes políticos que o quisessem", disse Campos e Cunha.
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