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António de Almeida passou pelo Governo, pela banca e por empresas. Hoje lamenta a falta de exigência no país.
Contra os jogos de poder e o facilitismo, António de Almeida defende um país com pessoas mais exigentes e menos acomodadas. Uma conversa onde se assume "incómodo" para muitas figuras e recorda os tempos de Governo, quando os secretários de Estado não eram "meros assistentes de ministro" e havia verdadeiro serviço público. Austeridade? "Teria o maior gosto em dar algumas ideias pitorescas à ‘troika...'"
Foi secretário de Estado de três ministros das Finanças [Jacinto Nunes, Sousa Franco e Ernâni Lopes], mas nunca chegou a ministro. Tinha essa ambição?
Não tenho jeito para político. Sempre fui convidado como tecnocrata e nunca fiz carreira política. Mas não tenho qualquer complexo ou ansiedade por não ter sido convidado para ministro.
O que o motivou então a aceitar integrar esses governos?
Tinha vindo de Moçambique há pouco tempo e estava a adaptar-me à vida em Portugal no período conturbado do 25 de Abril e das nacionalizações. Era novo, ainda não tinha 40 anos, tinha sido proposto para liderar o Banco de Angola pelo ministro Silva Lopes e não por agitados plenários. Todos temos uma ponta de vaidade. E ter sido convidado para o Governo por uma pessoa tão distinta como o prof. Jacinto Nunes foi um desafio que aceitei de imediato. Não estou arrependido.
Como compara os ministros da altura com o actual?
As comparações são muito difíceis, porque os tempos são diferentes - só para dar graxa ao actual ministro, o que nem é o meu estilo... Posso dizer que, com os três ministros com quem trabalhei, o secretário de Estado era uma pessoa com poder e intervenção. Isso desapareceu.
A partir de quando?
No tempo em que o primeiro-ministro Cavaco Silva disse que os secretários de Estado eram meros ajudantes dos ministros.
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