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O presidente do BCE tentou fugir às questões sobre Portugal, mas acabou por contrariar as recentes comparações entre Lisboa e Atenas.
"Portugal e Grécia não estão no mesmo barco", afirmou Jean-Claude Trichet numa conferência de imprensa realizada a partir de Belém, com Vítor Constâncio ao seu lado direito.
Portugal apareceu na conferência de imprensa pela voz dos jornalistas do ‘The Wall Street Journal' e da agência Bloomberg, que interpelaram o presidente do BCE com os receios de contágio da crise grega a outras economias da região, como a portuguesa e a espanhola. E foi aí que Trichet afirmou não fazer sentido comparar nem Portugal nem Espanha àquilo que se passa em Atenas.
Desta reunião em Lisboa sai outra declaração curiosa de Trichet. Questionado sobre se nos últimos meses a sua principal função enquanto presidente do BCE passou a ser "salvar a UE", Trichet negou peremptoriamente, elogiando o trabalho do banco central no controlo dos preços.
"A estabilidade dos preços é o nosso primeiro mandato e estamos inflexivelmente ligados a ele. Foi isso que a Europa pediu de nós", afirmou o presidente do BCE, lembrando que, apesar das turbulências, nunca nenhum estado membro gozou de melhores condições em termos de preços do que agora. "Nem nos anos 90 nem nos anos 80 e muito menos antes disso", frisou. "É o que fazemos agora e vamos continuar a fazer".
Incumprimento na Grécia não é opção
Outro dos temas quentes do ‘briefing' foi a recente decisão do banco central em aceitar todos os títulos de dívida grega como garantia dos empréstimos à banca, contrariando assim as suas próprias regras.
Trichet garantiu que essa decisão foi unânime dentro do BCE e repetiu que "o incumprimento [na Grécia] não é opção", pelo que, por essa razão, esse cenário não foi discutido na reunião de hoje, realizada em Lisboa.
‘Rating' europeu é boa ideia
Sem querer entrar em detalhes, Jean-Claude Trichet deu sinais de apoiar a criação de uma agência de notação financeira europeia, ideia que ganhou gás em Bruxelas depois dos recentes 'downgrades' da Standard & Poor's a Portugal, Grécia e também a Espanha.
"Quanto maior concorrência houver em termos de agências de ‘ratings' melhor", defendeu.
Taxas de juro apropriadas
No depoimento inicial, Trichet repetiu a expressão de que "as taxas de juro estão num nível apropriado" e reafirmou esperar um crescimento moderado da economia da zona euro.
Reconhecendo que os preços parecem controlados, o presidente do BCE avisou que "tudo fará" para manter a inflação abaixo dos 2%.
Em Lisboa, Trichet fez um novo apelo para que os Governos europeus aceleram as medidas de consolidação orçamental, considerando que a retoma e a confiança dependem de reformas que continuam por realizar. Essas reformas, defendeu, devem incidir no corte de despesa e fomentar um sistema de prestações sociais pró-emprego.
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