Política

28 Mai 2013

“Portas tem sido chantageado por causa dos submarinos”

Mariana Adam
“Portas tem sido chantageado por causa dos submarinos”

Mário Soares acredita Paulo Portas tem sido alvo de chantagem para não romper com o Governo.

Mário Soares acredita que Paulo Portas só não se demitiu porque está a ser "chantageado pelo actual Governo" com "o processo dos submarinos". O histórico socialista defende que é este processo judicial que "obriga" o ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros a não romper com Passos Coelho.

"Paulo Portas tem sido chantageado pelo governo por causa do processo dos submarinos e dos carros de combate Pandur. Quando, pela primeira vez, Portas admitiu que estava a ponderar se ficava ou não, o caso dos submarinos voltou à primeira linha. E isso obriga-o a continuar no governo. O medo é que manda na vinha...", afirma Mário Soares numa entrevista publicada
hoje no jornal i.

O ex-Presidente da República reitera que é perigoso que o Presidente da República insista em não dissolver o parlamento. "Acho que devia demitir o governo porque, como se tem visto, a legitimação do governo está a destruir em absoluto a sua imagem junto da esmagadora maioria dos portugueses. O que é um perigo que nunca aconteceu".

Mário Soares acrescenta que um "governo que não fala com o povo que o elegeu - nem pode sair à rua sem ser vaiado - não tem legitimidade. Ou então é porque já não estamos em democracia".

Nesta entrevista sobre a reunião da esquerda contra a austeridade - que vai reunir quinta-feira as direcções do PS, PCP, BE - que está a ser dinamizada por Mário Soares, o militante socialista admite não estar certa na possibilidade de o PS alcançar a maioria absoluta, mas revela que o líder do PS, António José Seguro, tem-lhe "dito que é uma possibilidade". Assim, o ex-Presidente da República defende que "era bom que dialogasse com a esquerda, quer sejam militantes dos partidos ou não".

Mário Soares revela que gostava que o encontro da próxima quinta-feira dê força a um futuro governo de esquerda. "Eu gostaria, mas não posso dizer se sim ou não", admite. "É importante tão-só que se juntem pessoas indicadas ou não pelos partidos e das centrais sindicais que se reclamem da esquerda e se afirmem contra a austeridade, e considerem que é fundamental e urgente que o actual governo se demita".

O socialista diz que as personalidades que vão participar este encontro, entre os quais está Pacheco Pereira, "sentem que é necessário acabar com a austeridade já e derrubar o governo, que tem vindo a arruinar a nossa pátria, criando mais de um milhão de desempregados, o empobrecimento geral e a destruição do Estado social."

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