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‘Rating', ‘default', ‘yield'. Nomes estranhos que, mais tarde ou mais cedo, chegarão ao bolso e ao emprego de todos os portugueses.
Portugal regressou, nos últimos dias, ao topo das preocupações dos investidores e, mais uma vez, pelos piores motivos. A primeira vaga de receios veio por contágio do que se passa em Atenas, mas agora, ao que parece, o mercado vê em Portugal um problema por si só.
Daí que o risco atribuído à dívida pública portuguesa nunca foi tão elevado. Isto significa que o Estado vai pagar mais caro para se financiar e que os bancos vão também cobrar juros mais elevados quando as empresas precisarem de investir, ou quando o cidadão comum precisar de um empréstimo para comprar casa. E quando as empresas não investem e as famílias não consomem, a economia não cresce e o desemprego aumenta.
E algo está muito errado quando, à luz do mercado, Chile, Colômbia e Tailândia parecem a última Coca-Cola do deserto se a alternativa for investir em Portugal.
E se nos corredores do poder em Lisboa e em Bruxelas se fala em "especulação infundamentada", lá por fora vai ganhando adeptos o leque de economistas que aponta Portugal como o próximo problema a resolver no euro.
Neste grupo, onde se destacam Noriel Roubini e Simon Johson, lembra-se quase sempre a História económica para argumentar que Lisboa e Atenas não são assim tão diferentes, partilhando ao longo dos últimos anos três traços muito pouco admirados pelo mercado: indisciplina orçamental, fraco crescimento económico e instabilidade política.
O mercado, como sempre, ouve tudo sem nunca se pronunciar com palavras. Mas a resposta está à vista de todos: Portugal é hoje um dos 10 países mais arriscados do mundo quando o que está em cima da mesa é investir em dívida pública. Mais evidente que isso: o PSI 20, índice que reúne as principais cotadas portuguesas, caiu hoje mais de 5%, o reflexo de uma fuga apressada de investidores para fora de Lisboa que se intensificou esta semana.
Foi neste clima que, piorando ainda mais as coisas, a S&P cortou hoje o ‘rating' português, ao mesmo tempo que baixou a notação da dívida grega para ‘junk bond'. Tão preocupante quanto isso foi a garantia de que, com as medidas previstas no PEC, Portugal não atingirá os seus objectivos e que, se isso se confirmar, a S&P fará um novo ‘downgrade'.
Na primeira reacção ao caos, o ministro das Finanças português, numa visita de trabalho em Angola, frisou ser imperativo que Governo e Oposição se entendam e garantiu que o Executivo tomará todas as medidas necessárias para emagrecer o défice de 9,4% do PIB registado em 2009. Isto pode significar que vêm aí medidas (ainda mais) agressivas.
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