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Por que a febre das redes sociais pode ser falso alarme

Económico  
29/05/11 15:17

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A reacção à oferta pública inicial (IPO) da acções da LinkedIn, na última semana, foi eufórica.

No entanto, este valor foi modesto quando comparado com o anterior IPO da Renren, a maior companhia de rede social da China, cujo valor inicial chegou a perto de cem vezes o volume das suas receitas. Entretanto, no mercado secundário, as acções do Facebook vendiam a múltiplos igualmente caprichosos.

Tal como no ‘boom' das ‘dotcom', os investidores acabaram vítimas da fatalidade do longo-termo, uma ‘doença' que pode ser tão prejudicial como o curto-prazo para a colocação de capital - embora muito benéfica para os lucros dos bancos de investimento. A comparação com a euforia das ‘dotcom' pode ser inexacta. Não é possível ter uma multiplicidade de IPO de redes sociais, porque os negócios tendem a caminhar para o monopólio. Poucas pessoas querem usar uma rede social menos popular, ainda que exista um grande alcance para aplicações relacionadas. Isto significa que a dispersão do retorno pode ser muito variada, entre o estratosférico e o não existente.

Em paralelo com a incerteza sobre os modelos de negócio e o risco de que tecnologias mais recentes possam minar a vantagem competitiva, gera-se uma enorme volatilidade nas acções, as quais acabam por ser empoladas pelas limitações dos mercados nas quais são negociadas.
Outro ponto vital na questão dos IPO das redes sociais é que os novos accionistas querem garantir direitos de voto mínimos. Os investidores estão, de facto, a comprar acções virtuais, tal como fizeram com a Blackstone, que marcou o pico do ‘boom' do capital privado em 2007.

Então, por que os investidores se estão a arriscar, de novo, a ficar fora de pé? Uma resposta é que as políticas monetárias dos bancos centrais desde a crise financeiras são definidas precisamente para alimentar o apetite pelo risco. O real retorno dos depósitos é negativo, por isso os investidores viram-se para o investimento de risco na expectativa de rendibilidades positivas. E no universo das redes sociais já devem existir vencedores espectaculares.

Pode esta bolha incipiente representar uma ameaça sistémica? Provavelmente não, dado que é largamente financiada por capital e não por dívida. Nesse campo, é semelhante à febre das ‘dotcom', na qual a alavancagem estava muito apoiada nas operadoras de telecomunicações, mais do que nas virtudes das próprias ‘dotcom'. Mesmo assim, a alocação de capitais ainda é a uma escala relativamente pequena. Mas uma coisa, muitas vezes, leva a outra. O tempo para preocupações chegará quando a especulação for dirigida pela expansão dos balanços dos bancos. Mas ainda não há grandes sinais disso.

Exclusivo Financial Times

 





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