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António Bagão Félix

Por detrás da gripe A

16/01/10 00:03 | António Bagão Félix 



Agora que os noticiários já quase não falam da gripe A, surgiu a informação de que os ganhos da indústria farmacêutica por causa e em função desta estirpe (...) estão sob suspeita do Conselho da Europa...

Agora que os noticiários já quase não falam da gripe A, surgiu a informação de que os ganhos da indústria farmacêutica por causa e em função desta estirpe (cinco mil milhões de euros, fora a valorização das acções, o que corresponde a cerca de 1,5 vezes o PIB do desgraçado Haiti!) estão sob suspeita do Conselho da Europa que, aliás, vai debater e criar uma comissão para avaliar a pressão que, alegadamente, poderá ter sido exercida sobre a Organização Mundial de Saúde (OMS).

Compreendo todas as cautelas e prevenções sobre o que se anunciava como uma grave pandemia mundial. É daquelas situações em que mais vale errar por excesso do que por defeito. Mas hoje, face à avaliação parcial que já se pode fazer, estaremos provavelmente perante um claro exagero de previsão. Basta recordar que a OMS chegou a aventar a hipótese de poder haver mais de 70 milhões de mortes e até agora terem-se verificado menos de 13000!

Em Portugal, onde nos foi permanentemente incutido um cenário alarmista e negro, com conferências de imprensa em catadupa "por dá cá aquela palha" e com a previsão de encerramentos temporários desde escolas a fábricas até igrejas e práticas desportivas, houve até agora 83 mortes, valor muito aquém da gripe sazonal (2000 óbitos por ano). Ao menos que esse exagero tenha trazido uma vantagem adicional: a de incitar e habituar as pessoas a uma maior cultura de higiene e profilaxia.

As vacinas e antivirais adquiridos pelos países mais desenvolvidos sobejam por todo o lado. Primeiro por pouca certeza da OMS (duas doses da vacina primeiro e logo a seguir apenas uma), depois porque as pessoas se aperceberam de que a situação não seria tão trágica quanto se previra. Em França, por exemplo, compraram-se 94 milhões de doses e só se usaram 5%! Os grandes beneficiários desta gestão desastrosa foram, de facto, os laboratórios!

Em escala logarítmica, repetiu-se a histeria sanitarista que, nos últimos anos, já se viu com a gripe das aves, a doença das vacas loucas e outros vírus. Nem tanto ao mar, nem tanto à terra. Nesta voragem de psicose colectiva, a técnica do pavor não é necessariamente boa conselheira...

Sou dos que pensam que a relação entre a OMS e a indústria da saúde deveria ser mais cristalina e escrutinável. Só por ingenuidade é que se pode achar que não há pressões num sector que move rios de dinheiro e de interesses.

Assim, o que se constata é a uma verdadeira "pandemia de lucro" embora paradoxalmente concentrada, que evidencia como poderosos interesses industriais e económicos são capazes de influenciar os decisores institucionais, os media e, por fim, os políticos.

A gripe A foi, aliás, sempre abordada como um problema de saúde focado nos países do 1º mundo, enquanto continuam a morrer diariamente milhares de pessoas nos países pobres com malária que se pode facilmente prevenir, com cólera e outras afecções evitáveis com um simples soro. Estes problemas, porém, nunca são notícia nem movem a comunidade internacional porque não são economicamente atractivos e lucrativos.
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António Bagão Félix, Economista




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