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Políticos da coligação governamental na Alemanha repudiaram hoje as críticas do presidente da Comissão Europeia às propostas de alteração dos tratados feitas por Angela Merkel para punir Estados membros que violem as regras da estabilidade financeira.
"É errado recusar toda e qualquer alteração dos tratados, numa altura em que a a crise mostrou que é urgente criar instrumentos para lidar com dificuldades idênticas no futuro", disse o porta voz para as questões financeiras do grupo parlamentar da União Democrata
Cristã (CDU), Leo Dautzenberg.
Em entrevista, publicada hoje no jornal Frankfurter Allgemeine, José Manuel Durão Barroso afirmou que seria "ingénuo" acreditar que se pode fazer uma reforma dos tratados só nas áreas importantes para a Alemanha, porque outros países também quereriam alterações.
Em causa está, nomeadamente, a suspensão do direito de voto de países membros que violem gravemente as regras do Pacto de Estabilidade e Crescimento (PEC), proposta por Berlim, ou mesmo a exclusão de um Estado da União Monetária, como Merkel chegou a
propor.
Durão Barroso lembrou que no Tratado de Lisboa já se prevê a hipótese de retirar o direito de voto a um Estado membro que viole grave e duradouramente os direitos básicos, e que está também previsto que, no caso de um país ultrapassar largamente os limites do défice orçamental, seja excluído do respectivo processo de votação.
"Constitucionalmente, no entanto, parece-me quase impossível ir mais longe", advertiu o presidente da Comissão.
Dautzenberg rejeitou também críticas de Durão Barroso, na mesma entrevista, ao governo e à oposição na Alemanha, ao lamentar que "não tenha havido mais políticos" a esclarecer a opinião pública sobre a importância do euro e os seus benefícios para a maior
economia europeia.
"Somos a favor da moeda única e queremos aprofundar este processo, porque esperamos continuar a extrair dele consideráveis vantagens", disse o político democrata cristão à edição eletrónica do jornal económico Handelsblatt.
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