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Carlos Costa

“Pode dizer-se que estamos em recessão económica”

Maria João Avillez  
16/02/11 00:05

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À conversa com Maria João Avillez, o novo governador do Banco de Portugal,Carlos Costa, confirma que Portugal já está em recessão.

"A dinâmica das variáveis macro-económicas vai produzir aquilo que dissemos e que as instituições internacionais confirmaram: uma recessão económica durante o ano de 2011 que é a contrapartida do processo de ajustamento, de emagrecimento", vaticinou Carlos Costa. O governador do Banco de Portugal (BdP) confirmou que o país já está em recessão e que a esperança reside nas exportações. Mas também reconhece que "há um limite de utilização de capacidade das empresas exportadoras".

Quais são as suas relações com o Governo, com o primeiro-ministro, por exemplo? Como analisa o político José Sócrates? Teve já várias reuniões com ele, como trabalham?
Muito bem. Gostaria até de frisar que tem respeitado integralmente a independência e a autonomia do BdP mesmo quando nós publicamos números menos agradáveis como os do último Boletim Económico...

Mas não quando falou de recessão...
Nem sempre somos os mensageiros que todos gostariam de ouvir mas o mensageiro não modifica a mensagem. O que há a reter é que quando ela está tecnicamente fundamentada e tem uma solidez indiscutível, não vale de nada ignorar a mensagem. Mais tarde ou mais cedo o seu conteúdo atinge-nos. Ora se estamos a dizer que vamos ter um período de menor crescimento económico, de recessão económica...

Vamos ou estamos?
Pode dizer-se que estamos em recessão. A dinâmica das variáveis macro-económicas vai produzir aquilo que dissemos e que as instituições internacionais confirmaram: uma recessão económica durante o ano de 2011 que é a contrapartida do processo de ajustamento, de emagrecimento...

O que pode criar um círculo vicioso, ou não?
Depende das questões que se colocam em paralelo. Quando retiro um dado estímulo à economia, tenho que ter uma posologia de compensação e ver onde é que vou buscar novos estímulos para ela. Nesta situação, eles só podem vir das exportações. Quando me pergunta se isso vai provocar um círculo vicioso, vai se a resposta dos sectores de bens transaccionáveis, do sector exportador, não estiver à altura daquilo que se vai produzir. A evolução das exportações foi aliás positiva.


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