Face à iminência de incumprimento por parte da Grécia – e da sua eventual saída do euro – os políticos portugueses com maiores responsabilidades têm apresentado as suas próprias soluções.
Durão Barroso apresentou aquilo a que podemos chamar o plano A. Ele consiste, sem surpresa, num ‘moment fédérateur' e na federalização das próprias dívidas dos estados através da emissão de ‘eurobonds'. Essa seria, com certeza, uma boa saída para Portugal. Mas sabemos agora que este plano é tardio e demasiado lento e complexo para que pudesse funcionar. Em política, o tempo é uma variável fundamental e deixá-lo passar em inacção - como fez Barroso - é uma falha grave e irrecuperável. Além disso, face à actual situação das opiniões públicas na Europa do norte, o plano é também um mero utopismo. Não é só a Alemanha a opor-se a qualquer coisa nessa linha. Há também a Finlândia, a Holanda e a Áustria, entre outros.
Passos Coelho apresentou o seu próprio plano B, ou plano de contingência, como lhe chamou. Sabendo que o incumprimento da Grécia levará a um imediato contágio a Portugal, afirmou que o país terá de solicitar um segundo resgate internacional (porventura inevitável, mesmo sem o problema grego). Aquilo que o primeiro-ministro não disse é que isso significaria, tal como se está a ver na Grécia, mais austeridade e, muito provavelmente, um mero adiamento do nosso próprio incumprimento e eventual saída do euro. Passos Coelho também não disse - porque não sabe - como é que conseguiria convencer a Alemanha, a Finlândia, a Holanda, a Áustria...- a financiar um novo programa de austeridade.
Talvez porque somos um povo muito dado ao pensamento mágico, procurando a solução para os nossos problemas em elocubrações fantásticas, a generalidade dos responsáveis políticos portugueses continua presa a estas duas agendas. Mas um verdadeiro estadista teria a cabeça fria e estaria agora a preparar um plano C. Os seus pressupostos são muito simples: a Grécia entra em incumprimento e sai eventualmente do euro, sucedendo pouco depois o mesmo a Portugal. São estas as maçãs podres que a Europa retirará do cesto para poder salvar a Itália (e, consequentemente, salvar-se a si mesma). Para nos prepararmos, devíamos deixar para trás o utopismo serôdio de Barroso, bem como a atitude de subserviência e mão estendida de Passos Coelho, centrando antes a agenda política na criação de incentivos e resguardos para a nossa economia, contando apenas connosco próprios.
Como disse o ministro alemão das finanças (e, neste caso, quem o diz é importante, não apenas aquilo que diz): "Devemos estar preparados para tudo. Seria um mau Governo aquele que não tentasse preparar-se para coisas que ninguém imagina como possíveis".
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João Cardoso Rosas, Professor universitário
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