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Crise

Petrolíferas avisam que combustíveis vão continuar a aumentar

Rita Paz  
25/02/11 07:05

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O preço dos combustíveis em Portugal ainda está longe de reflectir os aumentos das cotações nos mercados internacionais.

A Associação das Empresas Petrolíferas (APETRO) admite que a escalada nos preços dos combustíveis em Portugal deverá manter-se caso a situação da Líbia não acalme. "É muito provável que os preços dos combustíveis continuem a aumentar", disse o secretário-geral da associação, António Comprido. O preço do barril de ‘brent' em Londres chegou ontem quase aos 120 dólares enquanto em Nova Iorque o preço do barril de crude ultrapassou os 100 dólares. Um aumento que só vai chegar às bombas na próxima semana pois "esta escalada dos últimos dias ainda não está reflectida", acrescenta o mesmo responsável.

O grande problema, dizem especialistas, não é tanto a Líbia mas o perigo de contágio dos tumultos a grandes exportadores de petróleo como o Irão e a Arábia Saudita. Este é, aliás, um dos pontos sublinhados por Matt Smith, analista da norte-americana Summit Energy: "Enquanto existir o risco de estas revoluções se espalharem para o Irão ou a Arábia Saudita, vamos ver os preços a continuarem a subir e bater novos recordes".

O preço de referência do litro de gasolina em Portugal é actualmente de 1,534 euros, o que representa o valor mais elevado de sempre, enquanto o litro do gasóleo vale 1,394 euros, máximos de Julho de 2008, altura em que o preço do petróleo atingiu máximos históricos, acima dos 147 dólares por barril. Nesse ano, em que os preços dos combustíveis ultrapassaram todas as expectativas, um litro de gasóleo chegou a valer 1,428 euros em Portugal, motivando a célebre greve dos camionistas que quase paralisou o País.

Desde o início do ano, a gasolina já subiu 12% nos mercados internacionais, enquanto o gasóleo valorizou 18% e o crude 22%, estando todos os índices a negociar em máximos de 2008, mostram dados da Bloomberg. Em comparação, o preço dos combustíveis nos postos portugueses aumentou 9% no caso do gasóleo e 3% no caso da gasolina, o que significa que há espaço para mais subidas dos preços nas bombas.

Em termos europeus, e tendo em conta o último relatório de Bruxelas sobre o assunto, que compara preços com impostos, os combustíveis em Portugal ocupam a sexta posição no ‘ranking' da União Europeia a 27 países. O relatório da Comissão Europeia também deixa claro que a grande fatia do preço cobrado por cada litro de combustível vai para os cofres do Estado.


Polémica nos combustíveis

1 - Concorrência não vai voltar a investigar
A Autoridade da Concorrência (AdC) recorreu ontem aos argumentos trocados entre aquela instituição e os serviços da Direcção-Geral da Concorrência, em Bruxelas, para justificar que o Automóvel Clube de Portugal (ACP) não tem razão quanto à falta de concorrência no mercado dos combustíveis. Mais: o regulador recusa a ideia de voltar a investigar o mercado e diz que Bruxelas considera que a criação do posto de abastecimento ‘low cost' da Galp, em Setúbal, "é prova de um mercado mais concorrencial, ao afigurar-se como uma reacção do incumbente ao sucesso dos postos de abastecimento dos supermercados". A Comissão considera ainda, citada pela AdC, "não existirem razões para desenvolver quaisquer diligências ou desencadear uma investigação relacionada com o mercado dos combustíveis líquidos em Portugal". A posição de Bruxelas consta de um comunicado emitido pela AdC, em que o regulador reage à acção interposta pelo Automóvel Clube de Portugal no Tribunal Administrativo de Lisboa, na qual o ACP exige que o regulador investigue a abertura do posto Galp Base, um posto de abastecimento ‘low cost' em que o preço dos combustíveis está próximo do preço praticado nas bombas de gasolina dos hipermercados.

2 - Deputado do PS questiona Galp
O deputado socialista, Jorge Seguro Sanches, voltou a enviar uma carta ao presidente da Galp questionando a petrolífera sobre a inexistência de combustíveis ‘low-cost' (sem aditivos) no postos de abastecimento da empresa. As gasolineiras de bandeira insistem em não vender este tipo de combustível que, actualmente, só está disponível nas bombas ligadas aos hipermercados e num posto da Galp em Setúbal, mas o deputado defende que estes passem a ser vendidos em todo o país. A primeira carta, em que o deputado lembrava declarações do presidente da Galp sobre a condenação ao fecho dos postos junto à fronteira, foi enviada em Outubro. Nesta nova missiva, Seguro Sanches relembra a "verdadeira fronteira fiscal" com Espanha, que contribui para ameaçar a sustentabilidade dos postos portugueses.





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