Mais Lidas
Dorme sempre numa tenda e tem uma guarda privada feminina. Está no poder há 42 anos mas ninguém sabe quando nasceu.
Muammar Kadhafi recusa-se a dormir em apartamentos e hotéis. Quer esteja na Líbia ou tenha fugido para a Venezuela, o presidente nunca se separa do seu dormitório preferido: uma tenda de beduíno, equipada com computador, telefone, ar condicionado e casa de banho. No interior da tenda e à volta da dela estão sempre um grupo de Amazonas (a guarda feminina de Kadhafi) vestidas com uniforme militar. Um grupo de homens, armados até aos dentes, completa a segurança do líder Líbio.
O chefe de estado sempre teve um fascínio por tendas no deserto. Aliás, mesmo na Líbia, o presidente passa a maior parte do tempo numa zona árida nos arredores de Tripoli, a capital do país. É ali que recebe políticos, empresários e líderes internacionais, como Tony Blair. Nas viagens ao estrangeiro usa o mesmo método. Em 2009, de visita aos Estados Unidos, queria montar a tenda de viagem no Central Park. O governo americano recusou o pedido e Khadafi foi obrigado a dormir noutro lado.
Dois anos antes, em 2007, o chefe de estado tinha tido mais sorte. Num encontro ao mais alto nível em Paris, conseguiu autorização para dormir em pleno centro da capital francesa, mais precisamente em frente ao palácio presidencial do Eliseu. Mais uma vez, as Amazonas não o largavam. No mesmo ano, durante a realização da Cimeira EU-África, que decorreu em Lisboa, instalou a tenda no forte de São Julião da Barra, em Oeiras. Por questões de segurança, o presidente trouxe também um BMW 325, que funciona como inibidor de frequências magnéticas, impedindo as comunicações móveis.
Filho de um casal de nómadas beduínos, ele nasceu em 1942 na região desértica de Syrte. No entanto, Kadhafi nunca revelou nem o dia nem o mês do nascimento. Alguns historiadores dizem que nasceu em Junho, enquanto outros apontam para Setembro. Como a certidão de nascimento não existe, o mistério ainda se mantém.
Muammar, de 69 anos, é um dos líderes mundiais que está há mais tempo no poder, já que é chefe de Estado da Líbia desde 1969, onde instalou a Jamahiriya Líbia, ou socialismo árabe.
Coronel Kadhafi
Desde jovem que demonstrou ter perfil para ser líder e militar. Integrou a Academia Militar de Benghazi, segunda principal cidade do país, e a Real Academia Militar em Sandhurts, na Inglaterra. Aos 27 anos, fez parte das tropas revolucionárias que a 1 de Setembro de 1969 acabariam por tomar o governo do país, tendo como líder Al Magrabi. Pouco tempo depois da tomada do poder, Al Magrabi abandona os comandos do país e Kadhafi assume o cargo de líder da revolução líbia com o título de Coronel. Em 1975, Khadafi escreveu o seu "Livro Verde", que resume a sua ideologia e defende a "democracia islâmica".
Após a tomada do poder, o presidente Líbio declarou ilegais as bebidas alcoólicas e os jogos de azar. Exigiu ainda a retirada americana e inglesa das bases militares, expulsou as comunidades judaicas e aumentou a participação das mulheres na sociedade. No início da década de 90, a Organização das Nações Unidas impôs sérias sanções ao país, acusando o líder de financiar o terrorismo - são conhecidas as ligações ao IRA, na Irlanda do Norte, e a movimentos de libertação palestiniana. Condenou as acções terroristas da Al-Qaeda, mas disse que era preciso entender as motivações que estavam por trás deste grupo. Suspeita-se ainda da sua ligação ao grupo que sequestrou e assassinou membros da comitiva israelita nos Jogos Olímpicos de Munique, em 1972. De qualquer forma, a Líbia assumiu formalmente responsabilidade pelo atentado contra o avião da Pan Am, em Lockerbie, na Escócia, em 1988 (270 mortos) e abandonou o programa de armas de destruição maciça. As sanções das Nações Unidas foram suspensas e relações com o Ocidente foram reatadas.
Em Maio de 1998, o chefe de estado líbio sofreu um atentado levado a cabo pelo grupo extremista Movimento dos Mártires Islâmicos. Foi atingido com um tiro, mas salvou-se. Agora, a situação é muito mais grave. Ontem, um dos 9 filhos de Khadafi, Saif al-Islam, avisou que o regime irá "lutar até ao último minuto, até à última bala" para manter o pai no poder. Depois do que se passou com Hosni Mubarack e Ben Ali, o impensável está a acontecer: o regime pode cair e a tenda do Coronel Khadafi nunca mais será montada na Líbia.
Notícias da mesma categoria
Disclaimer: "O Económico apela aos leitores para que utilizem este espaço para um debate sério e construtivo, dispensando-se, para o bem de todos, o insulto e a injúria gratuitos. Desaconselha-se o uso exclusivo de maiúsculas e a repetição de comentários. Comentários inadequados devem ser denunciados e quando tiverem mais de cinco denúncias serão eliminados. O IP do leitor não será revelado mas ficará registado na base de dados".
Publicidade
Acções do PSI 20





