Quem folheie a imprensa e vejas as televisões, colhe do SNS a ideia de um desastre nacional.
E, todavia, António Barreto saudou o SNS, nos seus trinta anos, como a jóia da coroa da democracia portuguesa. Com toda a razão, se olharmos à saúde da mãe e da criança, à redução dos acidentes de trânsito e de trabalho, à redução das taxas de letalidade no enfarto e nos acidentes vasculares e até ao prolongamento da vida dos doentes com cancro. O estudo que Villaverde Cabral apresentou, há dias, sobre a percepção dos cidadãos acerca do SNS não só confirmou a melhoria de opinião dos frequentadores do SNS sobre os serviços e a sua qualidade, muito diversa nos que não o utilizam, como trouxe a agradável surpresa de cada vez maior consciência sobre a saúde e a necessidade de a defender e promover, apesar da menor tolerância ao desconforto da espera em cirurgia e especialidades. Aqueles que descriam das reformas dos últimos quatro anos, apodando-as de neoliberais, verem a contenção em 11% do número de seguros de saúde, o aumento do número de utilizadores do serviço público de 85 para 90% e a redução em sete pontos percentuais do número de cidadãos sem médico de família, não deixará de ser uma surpresa feita de preconceitos contra reformas necessárias e realizadas. Por exemplo, nos cuidados primários, incluindo a luta anti-tabágica e a boa execução da lei da IVG reduzindo o aborto clandestino, nos cuidados continuados, no cheque-dentista, na cirurgia do ambulatório, na redução de listas de espera, na criação de verdadeiras urgências, na gestão eficiente e rigorosa dos hospitais, na acessibilidade ao medicamento, em preço e local.
A explicação dos sociólogos e analistas para estas diferenças de opinião poderia residir na persistente negatividade da mensagem mediática, única forma de conhecimento do SNS para os não-utentes.
(Incidentalmente, um texto de agência, com a distracção habitual, comentava que a crise estaria estampada neste estudo. Distracção, por certo, pois o estudo é de 2008, anterior à crise.)
Se esta explicação já avançada em 2001 e agora renovada em relação aos dados de 2008 for correcta, a lição deve centrar-se no muito que está por fazer para que as duas percepções, a dos media e a dos utilizadores, venha a coincidir. Tarefa difícil, ainda mais em período eleitoral.
Bem mais difícil, porventura insolúvel até, será unir a percepção do poder ao alcance da mão, com as suas inerentes responsabilidades. O Bloco de Esquerda (BE) arrisca-se a entrar na galeria dos ‘case-studies'. Na percepção crescente dos seus eleitores, o BE deve governar. Na realidade, o BE foge de responsabilidades de governo ou administração municipal a sete pés, tal como condena acordos e amizades individuais com o actual Governo, mesmo que sejam meros almoços de despedida. Por quanto tempo manterá este duplo estatuto?
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António Correia de Campos, Professor universitário deputado eleito pelo PS ao Parlamento Europeu
Comentários (9)
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Acções do PSI 20





Devo dizer que fui na 5ª feira passada a uma consulta externa ao Curry Cabral e fui muito bem atendido quer pelas pessoas da recepção quer pelo médico, fiquei stisfeitissimo. Parem de dizer mal por dizer.
Ó João, vi hoje um título na TV em que se dizia que "3o porcento dos portugueses já recorrem à privada".Devia ser o teu caso.pois precisas de urgencia um psiquiatra..(já que o tempo da boa educação passou-te..)
Claro que o que gastam com SNS é muito, mas comparado com aquilo que pretendem gastar com tgv, nail, 3ª. autoestrada para o porto, 3ª. travessia sobre o tejo, ponte da lezíria às moscas, etc. é muito mais e sem grande interesse para os portugueses. Este ex-ministro, de má memória, impôs o pagamento de taxa moderadora de internamento e cirurgias ambulatórias e subscreveu um protocolo de acordo com o hospital da luz, no qual 20% da facturação é garantida pela adse. A obra que deixou é má. Agora reparem foi nomeado director do ina- cargo remunerado com o ordenado de reitor de uma universidade e agora foi eleito para o parlamento europeu. Será que é alguma sumidade rara? Ou será puro oportunismo?
O ilustre ex-ministro está de abalada lá para Bruxelas e Estrasburgo. Com o ordenatito de euro-deputado sempre dará para dar uns saltitos a Genève, Milano, Stuttgar London, Paris ou vir até à nossa querida Lisboa matar saudades ! Um fim de semana no Alto Alentejo, caso necessitemos de cuidados médicos, onde vamos? Évora, Portalegre ou...de imediato para Badajoz ?
Ou é do periodo estival ou é da campanha eleitoral ou é pura falta de vergonha... Qual o argumento para o ex-ministro da saúde se vir apropriar das melhorias nos acidentes de trânsito e de trabalho? E a anemia económica, a tal que o PS desconhece pois para ele só existe a "crise" que explica todos os seus falhanços, não estará por trás da contenção do número de seguros de saúde e o aumento do número de utilizadores do serviço público? A pergunta é simples: com os dados objectivos a apontar para uma degradação da qualidade dos serviço público de saúde, porque optam por ele os portugueses? Será masoquismo ou o resultado do pântano económico a que o PS nos condenou que lhes retira a opção pela assistência privada?
cala-te vg. pode é uma questão de escolhas que felizmente não te cabe a ti fazer mas ao país como um todo através das escolhas governativas que faz e se este ministro foi posto na rua apenas por remodelar a rede de urgências entao caro vg conte com gastos na saúde por muitos e bons anos por muito que custe a um egoísta como você
O país não pode continuar a gastar o que gasta com a Saúde.E sobre isso disse:nada...