Política

09 Jul 2013

Patrões disseram a Cavaco que não querem eleições antecipadas

Mariana Adam
Patrões disseram a Cavaco que não querem eleições antecipadas

Cavaco ouviu hoje os patrões a recusar eleições antecipadas, mas abertos a outras soluções governativas.

A maioria dos presidentes das confederações patronais foram esta tarde a Belém informar Cavaco Silva que a convocação de eleições antecipadas iria afectar a situação do país, mas deixaram a porta aberta para outras soluções governativas que não apenas a conservação do actual Executivo.

A voz dissonante foi apenas a do presidente da Confederação do Comércio e Serviços de Portugal (CCP) que defendeu que o importante é exigir uma "alteração da política económica" a qualquer Governo, no "actual quadro parlamentar" ou após "novas eleições".

O primeiro a ser ouvido pelo Presidente da República em Belém foi António Saraiva, presidente da Confederação da Indústria Portuguesa que defendeu que "a credibilidade do país ficaria ainda mais minada" com a convocação de eleições antecipadas.

"Na minha opinião, acho prejudicial ir para eleições porque somaremos crise à crise. Os nossos problemas resolvem-se com crescimento e com estabilidade. Algo que estaria minado e adiado ainda mais", afirmou António Saraiva que admitiu "outras soluções, com geometria variável, dentro do actual quadro parlamentar" que não a solução governamental anunciada sábado pelo primeiro-ministro, dependendo da "alta avaliação" de Cavaco Silva.

O representante dos patrões sublinhou que Portugal ficava em ‘stand-by' nos próximos meses com legislativas e autárquicas e que o "Orçamento do Estado para 2014 só seria aprovado lá para Março", em vez de Outubro de 2013. Um cenário que só iria agravar a crise que o país vive, argumentou.

O discurso do presidente da Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP) depois da audiência com Cavaco Silva foi na mesma linha. João Machado afirmou ver "com bons olhos" a conservação da "actual maioria parlamentar" a sustentar o Governo PSD/CDS-PP porque "eleições antecipadas seriam pior solução para o país".

O que se passou na última semana levará muito tempo a esquecer a todos os portugueses, aos mercados e mesmo na relação entre os dois partidos do Governo. O esforço que está a fazer parece-me genuíno, mas teremos que ver se no futuro dará resultado", acrescentou.

O presidente da Confederação do Turismo de Portugal (CTP), Francisco Calheiros, recusou igualmente uma eventual convocação de eleições antecipadas por considerar serem factor de "instabilidade" na "época alta" em Portugal, após audiência com o Presidente da República, em Belém. "Queremos um Governo rápido, a funcionar. O turismo está bem. Os números até Maio são de crescimento e as reservas para o verão são bastante positivas. Estamos a aproveitar, infelizmente, situações de menos estabilidade noutros países", concluiu.

Já o presidente da Confederação do Comércio e Serviços de Portugal (CCP) preferiu por a tónica na necessidade de exigir uma "alteração da política económica" a qualquer Governo, no "actual quadro parlamentar" ou após "novas eleições". A aposta na estimulação da economia "é o grande desafio para qualquer governo e solução governativa que o Presidente resolva", afirmou João Viera Lopes recusando pronunciar-se sobre a manutenção ou dissolução da maioria parlamentar que sustenta o Governo PSD/CDS-PP.

 

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