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Portugal vai "demorar 15 ou 20 anos a regressar a um padrão razoável de peso da dívida".
"Nós sabemos que hoje vivemos no nosso país uma situação muito difícil, onde o caminho que percorremos é realmente muito estreito e dentro de todas as liberdades que temos e que a nação foi conquistando, há, não há dúvida nenhuma, um leque de liberdade de escolha real muito limitado", disse hoje Pedro Passos Coelho durante a cerimónia do 80º aniversário da fábrica de chocolates Imperial, em Vila do Conde.
Na opinião do primeiro-ministro, "de um modo geral, o setor empresarial do Estado consumiu, ao longo dos anos, demasiados recursos na nossa economia".
"E não há dúvida hoje, dado que estamos numa circunstância muito específica que resulta de estarmos fora do mercado e de estarmos a viver exatamente com aquilo que nos deram para viver, e de três em três meses fazem a continha para saber se está tudo a correr bem e em função disso dão mais uma mesada - que neste caso não é uma mesada, é uma 'trimestrada'", disse.
Passos Coelho considerou ainda que "o campeão dos gastos públicos em Portugal é a dívida" e deixou um alerta: "Não pensem que esta dívida se vai resolver num ano, ou em dois. Vamos demorar 15 ou 20 anos a regressar a um padrão razoável de peso da dívida em função da riqueza que criamos".
Durante o seu discurso, o primeiro-ministro disse ainda que "os contribuintes, através do Orçamento do Estado ou através das taxas que pagam, foram desviando" para a RTP um valor que representa "3,5 vezes mais do que toda a cultura tem para gastar em cada ano".
"O meu objetivo é reequilibrar as coisas. Como justificar que esse serviço custe 3,5 vezes mais aos portugueses do que o objetivo de recuperar o nosso património?", questionou.
Passos Coelho salientou ainda que hoje "foi conhecida uma boa notícia" relativamente à EDP, tendo explicado que "foi a primeira vez, em Portugal, desde o resgate financeiro que uma grande empresa conseguiu regressar a mercado, emitindo um empréstimo obrigacionista".
O primeiro-ministro falava durante a cerimónia do 80º aniversário da fábrica de chocolates Imperial, em Vila do Conde, sessão onde também esteve presente o ministro da Economia e do Emprego, Álvaro Santos Pereira, e o presidente da Associação Comercial do Porto, Rui Moreira.
Um grupo de manifestantes concentrou-se hoje na porta principal da Imperial aguardando a chegada de Passos Coelho mas o primeiro-ministro não se cruzou com os manifestantes uma vez que entrou por outra porta da fábrica, nas traseiras, mais próxima do local onde decorreu a cerimónia.
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