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Discurso

Passos Coelho mantém exigências no Orçamento

Pedro Latoeiro  
05/09/10 13:50

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Orçamento, justiça social e revisão constitucional foram os pratos fortes do último discuros de Passos na Universidade de Verão.

Passos Coelho reafirmou hoje as exigências do PSD para viabilizar o Orçamento, faz nota da "proximidade" entre PS e Bloco de Esquerda e diz que a revisão constitucional causou uma "falsa tensão" no país".

No fecho da Universidade de Verão social-democrata, em Castelo de Vide, Passos Coelho respondeu a José Sócrates que ontem, em Matosinhos, defendeu que o tempo "exige a defesa da estabilidade e não de constantes ameaças para provocar artificialmente crises políticas".

Na resposta, Passos classificou de "perversão do sistema democrático querer fazer do PSD a muleta do PS no Orçamento apenas porque o Presidente da República não pode convocar eleições". Reiterando que o partido se oporá a um Orçamento que corte nas deduções fiscais e não preveja "objectivos mais ambiciosos para cortar a despesa", Passos
Coelho acusou o actual Governo de promover "políticas públicas que estrangulam as famílias e as empresas".

Em matéria de Orçamento, e ao falar sobre as deduções fiscais, Passos fez nota de PS e Bloco de Esquerda estarem "hoje mais próximos", até porque apoiam o mesmo candidato presidencial, acusando os dois partidos de não estarem preocupados com o "problema da justiça [social], mas com o problema do dinheiro". "Se essa ideia de justiça social for avante", continuou Passos, "não só os reembolsos vão baixar como os vencimentos serão mais baixos" a partir do próximo Janeiro, concluiu.

O líder social-democrata também criticou o facto de "Portugal ser dos únicos países em dificuldades na Europa em que a despesa subiu mais que o previsto" na primeira metade de 2010. O défice só não aumentou nesse período, argumentou Passos, "porque a receita fiscal tem estado acima do previsto". No meio de um discurso que quase uma hora, Passos Coelho deixou ainda o repto ao Governo de, antes da apresentação do Orçamento de Estado, proceder a uma avaliação das medidas de contenção de despesa acordadas no PEC.

Constituição criou "falta tensão"

Passos aproveitou ainda a Universidade de Verão para voltar a falar no projecto de revisão constitucional do partido, um dos pontos mais criticados pelo PS na rentrée política. Para o líder social-democrata foi criada uma "falsa tensão no país" à volta do assunto. Se o projecto avançar, disse, "talvez possamos ficar como aqueles países normais onde não há revisão da lei fundamental de cinco em cinco anos".

Políticos "pouco sérios" com eleitores

No mesmo depoimento, Passos Coelho fez o retrato de uma país que diz ser hoje mais desigual e menos transparente. E apesar de a crise ser mundial, os políticos portugueses têm "responsabilidades agravadas na situação que estamos a viver". "Ao longo dos anos fizemos mal as contas, não fomos sérios com o eleitorado e não nos preocupamos com os próximos 10 anos (...) vendemos mais ilusões do que oportunidades verdadeiras para as pessoas criarem raízes para terem uma vida melhor". Passos continuou, criticando o Governo por se preocupar "mais em distribuir aquilo que tinha do que criar condições para haver mais crescimento da nossa economia".

Passos fez ainda nota de um Portugal desigual, onde "aqueles que ocupam lugares de relevo" têm acesso facilitado à educação, à saúde e até um tratamento privilegiado na Justiça. "Não podemos ter o Estado a distribuir favores pelos amigos e pela família política", disse o líder dos social-democratas, lembrando que o processo Casa Pia provou que "a Justiça não está bem".

Outro argumento de Passos foi a "falta de transparência" do Governo. E aí lembrou a reprivatização em curso do BPN para perguntar se "alguém sabe até esta data quanto custou a intervenção no banco?".





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