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Com Santos Ferreira na liderança do BCP, é previsível que os dois maiores bancos do país voltem a estudar um acordo para as operações no estrangeiro.
Santos Ferreira, futuro presidente do BCP, apostará numa estratégia de crescimento orgânico no mercado nacional, mas, sobretudo, no desenvolvimento das operações do banco no estrangeiro, não sendo de excluir, neste caso, aquisições. Presente em mercados com elevado potencial de crescimento, como a Polónia, a Grécia, a Roménia e Angola, o objectivo é que a contribuição das operações no exterior para os lucros globais do grupo seja cada vez mais expressiva. É convicção do ainda presidente da Caixa Geral de Depósitos (CGD) que a união de esforços poderá facilitar a investida dos bancos portugueses no estrangeiro. Assim, poderá ser retomada a tentativa falhada do passado de um acordo de parceria entre os dois maiores bancos portugueses ao nível da política de internacionalização. Uma política que seria, aliás, bem vista pelo próprio Governo.Em 2000, o BCP e a Caixa chegaram a celebrar um acordo de “cooperação em iniciativas de expansão internacional” que não deu frutos. O assunto ainda foi recuperado por Jardim Gonçalves quando o BCP entrou na Polónia, mas a Caixa disse “não haver quaisquer conversações sobre parcerias desse tipo”.
Mas ainda que não tenha havido entendimento na altura, não se pode dizer que, fora de Portugal, exista propriamente rivalidade entre o maior banco privado português e o líder no mercado bancário e segurador nacional. Até porque os bancos apostam em sentidos diferentes: o Millennium procura mercados de elevado potencial em África e no Leste europeu, enquanto que o banco público foca as suas operações na zona euro e nos países de língua portuguesa.
No caso do BCP, a rede de distribuição do banco passa hoje por 15 países, mas as operações internacionais de maior relevo estão na Polónia e na Grécia. Angola, Moçambique, Roménia, Turquia e Estados Unidos são outros mercados em destaque nos negócios do banco. “Somos cada vez mais internacionais e menos portugueses” foi, aliás, uma das frases mais repetidas por Paulo Teixeira Pinto, antigo CEO do BCP. De facto, nos últimos anos, os negócios no exterior têm assumido um peso cada vez maior nas contas do Millennium. Em 2006, as actividades fora de Portugal representavam apenas 9% dos lucros do banco, valor que duplicou nos primeiros nove meses deste ano. O BCP lucrou 388,5 milhões de euros entre Janeiro e Setembro, sendo que 89,8 milhões foram obtidos no estrangeiro.
Os resultados do terceiro trimestre revelaram mesmo duas faces do mesmo Millennium: o resultado líquido em Portugal caiu 17,4% nos primeiros nove meses do ano, enquanto que o lucro internacional disparou 47,2%.
A aposta do BCP nos negócios internacionais também é visível na rede de balcões do banco. No final de 2010, o Millennium espera contar com 2.100 balcões, dos quais 1.016 serão localizados fora de Portugal. A área internacional também já representa mais de 40% do número de colaboradores do BCP, de acordo com o último Relatório e Contas.
A CGD está presente em mais países, mas obtém ganhos menos expressivos nos seus negócios internacionais. O banco público actua em 23 países e assume que a zona euro é “o espaço natural de actuação do grupo”.
Na Europa, os mercados espanhol e francês são os que contam com a presença mais forte da CGD. Em Espanha, o banco dispõe de 188 balcões e 955 colaboradores, mas o resultado ficou nos 584 mil euros no ano passado e, em 2005, a Caixa registou mesmo prejuízos de 31 milhões de euros no mercado espanhol – uma verdadeira “pedra no sapato” na estratégia de expansão da CGD, que ainda não conseguiu a posição de relevo em Espanha que há tanto deseja.
Já nos PALOP, a Caixa tem procurado combinar elevadas taxas de crescimento com a obtenção de rendibilidades adequadas. A principal filial em Cabo Verde, o Banco Interatlântico, é líder neste país africano e um referência para os emigrantes, absorvendo a maioria das reservas que entram no país. A CGD tem ainda duas seguradoras em Cabo Verde, sendo que a Garantia opera com uma quota superior a 65%.
O banco público também tem procurado consolidar a sua presença em Macau, com o objectivo de projectar os negócios do grupo nos mercados asiáticos. Com 13 agências, o Banco Nacional Ultramarino de Macau registou um lucro de 26 milhões de euros em 2006, impulsionado pela concessão de crédito a empresas, nomeadamente nos sectores do turismo e de construção civil.
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