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Parasita(s), meu amor

23/06/09 00:01 | Tiago Caiado Guerreiro 



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Portugal tem um fascínio secular por tudo o que vem do estrangeiro sejam pessoas, empresas, projectos etc... Isto não teria nada de mau, se não estivesse aliado no presente a um raciocínio pequeno e mesquinho, que desconsidera o valor intrínseco de Portugal, dos portugueses, do seu ‘know-how' e capacidade criativa.

Na linha dessa visão pequeno-burguesa poluída, vem a contratação de empresas estrangeiras pelo Estado e múltiplos organismos públicos, em concorrência com as portuguesas para fazer projectos em Portugal. Isto passa-se em áreas em que o ‘know-how' português é tão bom ou melhor que o estrangeiro, como a advocacia, a consultadoria, indústria e muitas outras áreas.

Pior do que isto (e como se não bastasse esta discriminação, que deve ser única no mundo), é o que tem vindo a ser feito a todas as PME portuguesas. Não só lhes são retiradas pelo próprio Estado português oportunidades de mercado, como o Estado através de impostos, taxas e contribuições para a Segurança Social lhes retira recursos, que entrega a empresas estrangeiras ou outras para abrirem ou manterem fábricas em Portugal. Veja-se por exemplo o caso da Qimonda (e muitos outros), que estão a fechar ou ameaçam fechar, e que são verdadeiros cancros, que só se mantêm vivos à custa de enormes apoios e subsídios, que lhes são concedidos permanentemente pelo Estado.

A ironia de tudo isto, é que ao contrário do que os políticos nos tentam fazer crer, o capital tem pátria e, por isso, entre fechar fábricas nos países de origem, fecha-se em Portugal. Eu até diria, que só podemos elogiar tal postura e sentido nacional e social dessas empresas perante situações de despedimento.

Coloquemos então a seguinte questão: quantas PME portuguesas faliram, não cresceram e não se desenvolveram devido aos elevados impostos e taxas para manter durante todos estes anos, por exemplo, a Qimonda em Portugal? Já alguém se perguntou isso?

Vamos ver, por exemplo, o que aconteceu no dia 5 de Dezembro de 2008 em plena recessão económica.

A Lei n.º 64/2008 aprova discretamente um agravamento de 100% do IRC sobre despesas com refeições, viagens, encontros anuais de clientes, etc.. Não interessa se a empresa tem ou não prejuízos na sua actividade. Se promover uma viagem ao estrangeiro para tentar aumentar as suas exportações, conforme o Governo e o Presidente da República dizem ser prioritário, convidar clientes a vir visitá-los ou oferecer uma recepção será agora 100% mais penalizada em termos de IRC.

Mais importante que apenas produzir, é garantir que se têm mercados para os produtos, canais de distribuição adequados, novos e potenciais clientes, enfim tudo aquilo que se baseia no não físico, que são as relações e os conhecimentos.

Esse é aliás um dos grandes pecados mortais das PME, onde sempre existiu sub-investimento e que o Governo agrava profundamente aumentando a taxa de tributação autónoma de 5% para 10%.

O nosso sistema fiscal, é infelizmente e cada vez mais uma forma de "sacar dinheiro aos contribuintes", independentemente dos gravíssimos prejuízos que daí derivam a médio e longo prazo para a economia nacional.

Quem no mundo se lembraria de penalizar as empresas por tentarem exportar mais, melhorarem as relações com os seus clientes, procurarem novos mercados etc.? E mais, quem no mundo se lembraria de o fazer durante a pior recessão dos últimos 100 anos?

Não admira, que o desemprego continue a aumentar galopantemente, as falências das PME se contem às dezenas de milhar e não surjam novas empresas.

Quem é que quer investir num país assim, em que quem tenta criar riqueza é saqueado e quem nada produz premiado e subsidiado?

Cada contribuinte carrega às suas costas estes e outros parasitas, que sugam cada vez mais rapidamente os seus recursos vitais, condenando a um estado vegetativo ou de morte lenta. Até quando?!...

tguerreiro@fcguerreiro.com




Comentários (13)

Manuel Cesário Rosa Páscoa, | 24/06/09 18:03
as pessoas escondem-se no anonimato para poder dizer algumas verdades. nos
não somos apologistas desses procedimentos. o que se passa com diversos sectores da economia neste país é verdadeiramente um desastre e os operadores economicos não têm culpa.citamos o exemplo da produção de cereais: Esta colheita de 2009 vai deixar a maior parte dos agricultores na desgraça e não venham aldrabar a dizer que a culpa é nossa. o trigo está a SER VENDIDO A 13/14 CENTIMOS E OS CUSTOS DE PRODUÇÃO SÃO NO MINIMO 390 EUROS POR HA. cOMO AS PRODUÇÕES ESTE ANO ANDAM POR 2.000 KG/HA CADA HA DÁ UM PREJUIZO EFECIVO SUPERIOR A 100 EUROS. será que os agricultores não têm direito a viver. será que nós temos dinheiro suficiente para importar farinha e trigo ? será que a agricultura de sequero pode ser subtituida ? não pode. SERÁ QUE NÃO QUEREMOS PROTEGER O AMBIENTE ? Será que as ajudas da CUNUNIDADE PODEM SER 10 VEZEZ SUPERIORES PARA OS AGRICULTORES DO NORTE DA EUROPA ? QUE PAÍS E ESTE QUE GOVERNANTES TEMOS? ISTO NÃO É FICÇÃO SÃO FACTOS REAIS. O SR MINISTRO DA AGRICULTURA NÃO IGNORA ISTO. QUALQUER PESSOA QUE NÃO SEJA DOENTE MENTAL PERCEBE ESTA DESGRAÇA, É OU NÃO VERDADE QUE NINGUEM MAS NINGUEM REGULA O PREÇO DO PÃO O PREÇO DOS FACTORES DE PRODUÇÃO DESIGNADAMENTE OS ADUBOS. A CARTELIZAÇÃO INTERNACIONAL É UM FACTO, MAS NINGUEM SE IMPORTA COM ISSO. A FAO ESTÁ FARTA DE ALERTAR PARA A FOME NO MUNDO ENT~QAO QUEM TEM INTERESSE EM ARRUINAR OS AGRICULTORES ? SÓ PODEM SER OS ESPECULADORES QUWE FAZEM O QUE QUEREM.


João, Matosinhos | 24/06/09 17:29
Trabalhei 8 anos na Qimonda e sempre dei o meu melhor é com muita tristeza que verifico que infelizmente não gerei riqueza para este pais apenas porque os 400 milhoes de apoios recebidos pela Qimonda ao longo de 12 anos chegaram e sobraram para pagar os ordenados de todos os que comigo trabalharam, agora pensemos se estes apoios fossem distribuidos por PME's quantos milhares de empregos teriam sido criados? Na Qimonda aprendi muito e sai para melhor e é com magoa que vejo que por causa de uma gestão ruinosa a qimonda esteja a porta da falencia. A Qimonda tem dois directores gerais mas 800 colaboradores em lay-off e despediu quase 1000, tudo são mordomias para a direcção e supervisão ao contrario os operadores trabalhavam 12:15horas por dia em turnos rotativos com 30 minutos para refeição contolados ao segundo, se é este o modelo empresarial que queremos para o nosso pais eu vou é fugir. Agora trabalho numa empresa nacional dou o meu melhor, ganho mais, e não sou um peso para o resto dos contibuintes. Se todas as empresas em Portugal recebecem os mesmos incentivos que recebeu a Qimonda não havia desemprego e toda a gente seria na teoria extremamente qualificada.


Maria C, Lisboa | 24/06/09 11:26
Parabens Tiago pela simplicidade e veracidade do artigo em questão e concordo com o Fernando (Montijo) muito mais havia para dizer!


FERNANDO , LISBOA | 24/06/09 10:16
estou perfeitamente de acordo


Pela verdade, Porto | 23/06/09 21:06
Não se deve falar do que não se conhece.
O que foi a Qimonda de Vila do Conde.
Toda a produção de Vila do Conde da Qimonda era enviada por avião para a Alemanha, em quatro voos diários fretados exclusivamente para o transporte de mercadoria e fardamento.
Eram oito voos diários, quatro do Porto para a Alemanha e outros quatro da Alemanha para o Porto.
Eram servidas 1.200 refeições diárias, distribuídas por almoços, jantares e ceias, a fábrica labora sem interrupção, 24 horas por dia, sete dias por semana.
Em 2008, estiveram, em média, 20 camas reservadas diariamente em hotéis do Norte de Portugal para clientes, técnicos e fornecedores da empresa e há em Vila do Conde dezenas de casas alugadas por funcionários da empresa que são de fora do concelho.
No total, são 15 os concelhos onde residem trabalhadores da Qimonda, muitos dos quais usam a estação Natureza do Metro do Porto, construída propositadamente para servir a fábrica e que deixará de ter utilidade caso a empresa feche.
Em 2007, a fábrica de produtos de memórias abriu 80 estágios profissionais, 90% dos quais resultaram em contratação.
A Qimonda Portugal era a segunda maior exportadora do país, a unidade de Vila do Conde era a única fábrica de semicondutores em Portugal e era a maior da Europa na montagem e teste de produtos de memórias.
Era responsável pela produção de 7% do volume mundial de memórias DRAM destinadas à integração em computadores e aparelhos como leitores de mp3 e máquinas fotográficas.
Criada em 1996, como Siemens, a fábrica de Vila do Conde iniciou a produção em 1998, com 300 pessoas, num terreno vendido pela câmara local por meio cêntimo. Em 1999, a fábrica passa a ser detida pela Infineon e em 2006 mudou de nome para Qimonda.
Tinha 1.800 trabalhadores, com média etária de 35 anos, dos quais 300 engenheiros.
Ao lado da fábrica de memórias RAM, continua a ser construída uma unidade da Qimonda de componentes para painéis solares, com previsão de entrada em funcionamento no final de 2009 e de criação de 200 empregos.
Mais respeito por quem tanto deu e contribui para Portugal, todos os que trabalharam na Qimonda Portugal.
A Qimonda Portugal colocou Portugal no mapa das mais avançadas tecnologias.


A. Coelho, Cascais | 23/06/09 19:38
O Estado já pagou tudo o que deve?
Há empresas que ainda esperam há 4 anos o pagamento de obras feitas às autarquias antes das últimas eleições. As próximas estão à porta.
Já há "credito" para mais calotes?
Esperem lá, que as autarquias não são Estado; dizem da "Rede".
O Balcão Único foi só para alguns.
Agora não se sabe a quem pedir o dinheiro que as autarquias devem.
Realmente isto é unico!
Entretanto, mimam-se (€) aqueles que vêm cá explorar-nos e nada lhes acontece (até levam máquinas e dinheiro) e quando lhes apetece vão-se embora.
Das duas, talvez ambas: ou os que nos governam são burros, ou são espertos.
Adeus

Como é que isto fica?


Marco Cardoso, Kotka, Finlândia | 23/06/09 19:24
Gostei do artigo e do comentário das 300.000 para as 100 ;o)
Não desistam de lutar!
Um abraço a partir da Finlândia (ou do paraíso conforme o ponto de vista).
http://www.linkedin.com/in/marcosuomi


FERNANDO , Montijo | 23/06/09 18:04
Concordo plenamente com tudo o que foi dito.
A análise só pecou por defeito porque muito mais havia para dizer.

Penhora-se a pequena conta bancária de uma micro empresa, asfixiamdo-se totalmente, quem trablha e pretende trabalhar, exectua-se a habitação do gerente, vende-se tudo em em "praça-pública" e ao mesmo tempo dá-se casa nova e por cada cabeça ( e são sempre muitas) mensalmente algumas centenas de euros a uma familia que nada faz, limitando-se a de dia assaltar pessoas e automobilistas e de noite ATM e lojas.

Mas nada se pode dizer porque vem logo os defensores das minorias ou seja aqueles que tem muitos tachos nas comissões de igualdade e coisas do género

Enfim é o pais que temos.

Uma desgraça




Puto, Barcelos/Vila do Conde | 23/06/09 17:37
Gostei do artigo apesar de ser trabalhador da Qimonda... Estou em Lay-off e dependo em muito da continuidade ou não da Qimonda em Portugal. Gostaria de dizer que concordo com tudo aquilo que foi dito neste artigo. Os governos têm que deixar de criar monstros como a Qimonda que quando caiem são como marmotos a entrar pela nossa costa dentro e passem a suportar mais os projectos nacionais normalmente de menor dimensão.
São várias as áreas de negócio em que Portugal é deficitário como a energia e que há empresas interessadas em abraça-los mas como a energia é da EDP e associadas acaba sempre por não surtirem efeitos, se não for por mais nada é pela concorrencia que poderia haver contrariando os desejos das grandes companhias apesar de eu "gostar" mais dos grandes sanguessugas nacionais do que dos sanguessugas multinacionais..
Espero bem que a Qimonda continue, não para bem do país mas para bem das pessoas e região que acolhe a Qimonda...


sagaz, Porto | 23/06/09 16:30
Concordo com a ideia principal deste artigo - continuamos a "engolir" tudo o que vem de fora, o estado a dar incentivos "às mão largas" e o país a empobrecer porque o saldo do rendimento nacional bruto continua a esvair-se na repatriação de lucros ou nos preços de traneferência. Aos empresários de PME e todos aqueles que não tem canais de comunicação com o governo (só acessível a meia dúzia de integrantes do PSI20), sugeria emigrar. A iniciativa não tem pátria, e também há empresários portugueses bem sucedidos lá fora.


Pedro, Porto | 23/06/09 14:12
Meu amigo, nunca lí tanta merda como este artigo... Deves ser benfiquista!!!

Pedro


gil manuel costa, Braga | 23/06/09 10:05
Simplesmente brilhante!!!
Parabéns pela clarividência de raciocínio. Já tenho ouvido a PME Portugal a alertar para estes e outros problemas com que se debatem as PMEs. O Joaquim Cunha há dias dizia que em Portugal o governo só sabe tirar às 300.000 para dar ao clube dos 100.


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