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Analistas não estão optimistas sobre o desempenho futuro da bolsa.
A instabilidade está para durar na bolsa portuguesa. Os analistas contactados pelo Diário Económico esperam que enquanto a crise de dívida soberana não acalmar, dificilmente se normalizará o desempenho das acções nacionais. E as perspectivas para a dívida nacional são cautelosas, principalmente depois da revisão em baixa do ‘rating' da República por parte da Standard & Poor's. "Os mercados têm revelado uma turbulência muito significativa no que se refere à dívida portuguesa e, pelo contrário, acho que uma notícia destas não vai serenar os mercados, que vão continuar a manifestar essa turbulência e esse nervosismo", disse ontem o ministro das Finanças, citado pela Lusa.
As preocupações são partilhadas pelos especialistas. "O corte de duas graduações pela principal agência de ‘rating' mundial é um alarme bastante significativo para o mercado da dívida soberana e a pressão que já se verificava na dívida pública portuguesa é provável que se mantenha", defendeu o corretor da GoBulling, Paulo Rosa, ao Diário Económico. Caso esta perspectiva se concretize, as notícias não são animadoras, já que "o tiro de partida para uma reviravolta nas acções será o acalmar dos medos dos investidores relativamente a um ‘default' soberano", explicou o responsável pela análise de acções do HSBC, Robert Parkes.
Analistas antecipam "pressão vendedora"
O problema para a bolsa portuguesa é que agora o foco no mercado vai centrar-se nas notícias que envolvem a situação da dívida nacional, depois do país ter feito as manchetes na imprensa internacional e de ser escrutinado pelos economistas das maiores casas de investimento.
Por um lado, Paulo Rosa refere que poderá haver um aumento da ansiedade "perante um ajuste que outras casas de ‘rating' como a Fitch, e a Moody's possam vir a efectuar". Por outro, há a esperança de que as autoridades europeias consigam refrear os ânimos dos investidores. "Nos próximos dias as cotações dependerão da tomada de posições fortes e credíveis por parte dos responsáveis do Eurogrupo, ou o anúncio de Portugal que tem assegurado o seu financiamento para um período longo. Enquanto essas posições não aparecerem, a pressão deverá continuar", defende o economista da IMF, Filipe Garcia.
Medidos os prós e os contras os analistas não estão muito optimistas quanto ao desempenho das acções nacionais nos próximos tempos. "Antecipamos a manutenção da pressão vendedora", refere o analista do BancoBIC, Frederico Antão. E o motivo é simples e o mesmo que tem assolado os mercados nas últimas semanas: "No contexto actual, comprar Portugal e Grécia é uma aposta que é percebida como arriscada", observa Filipe Garcia.
E o que aconselham os profissionais numa altura em que os nervos estão à flor da pele e a incerteza é um denominador comum? "Neste momento o investidor deve ser bastante cauteloso e criterioso na sua recompra. A sua entrada no mercado deverá ser escalonada, sempre atento a todos os sinais que forem surgindo", explica o corretor da GoBulling. Para os investidores com exposição ao mercado accionista, mas com um perfil de risco conservador, convém estar sempre atento aos objectivos e horizontes temporais de investimento, não esquecendo a diversificação das carteiras.
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