Eleições são hora de balanço. E não há discurso, não há retórica, não há comício por mais bem encenado que se apresente que apague a frieza dos números.
As projecções do FMI para a economia portuguesa, conhecidas na passada segunda-feira, são a realidade que atesta a perfeita ruína para o País que seria o prolongamento do Governo socialista para lá do próximo dia 5 de Junho.
Portugal será o único País da União Europeia em recessão económica até final de 2012 e vai fazer companhia à Grécia como os dois únicos estados-Membro na moeda única em que o número de desempregados vai continuar a crescer, com uma previsão de 12,4% de desemprego nacional para o fim do próximo ano.
Este é o resultado a que a gestão do Governo liderado por José Sócrates nos conduziu na sua teimosia cega de pensar que a crise não existia, que não era também portuguesa e que Portugal não precisava de solicitar auxílio externo, como o PSD e muitos prestigiados economistas já defendiam no Outono passado.
Para quem passa o tempo a clamar por uma análise que tenha em conta o envolvimento internacional, aí está ela: O Mundo, a Grécia, a Irlanda, a Europa crescem e Portugal afunda-se. Algo nos diferencia do resto dos países. E a explicação é simples, fomos governados por um Executivo que ficará na História por ser aquele que mudou mais vezes de posições e de soluções e no menor período de tempo. A continuação do PS como responsável pelo Governo de Portugal significaria apenas o agravamento contínuo da situação.
Não basta negociar medidas com o FMI para a concretização da ajuda financeira por parte de um primeiro-ministro que ainda há pouco mais de uma semana se definia na posição de "ou o FMI ou eu". Vai ser preciso competência e credibilidade para levar avante os compromissos acordados, características que notoriamente José Sócrates não tem.
A euforia para consumo interno que o PS viveu na Exponor, durante o fim-de-semana, já está a ser destruída pela simplicidade dos números. O Governo, entretanto, não se entende sobre a sua própria responsabilidade e sobre o modo como se apresentará à mesa das negociações com o FMI, o que levou, aliás, a públicos remoques da Comissão Europeia.
O Governo levou ao limite a distorção da realidade, o disfarce da situação económica e a inconsequência governativa. O descrédito político do primeiro-ministro é directamente proporcional à habilidade que demonstra para o "pugilismo verbal", como o seu estilo discursivo já é conhecido.
Só que, como diz o Povo, "palavras leva-as o vento" e, na actual situação de sofrimento dos portugueses, será a crise a matá-las.
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Marco António Costa, Vice-presidente da Comissão Politica Nacional do PSD
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