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A proposta de criação de um fundo de 23,6 mil milhões de euros para apoiar a sustentabilidade foi excluída do texto final do encontro.
A crise financeira acabou por transformar a conferência Rio+20 num braço-de-ferro entre o Brasil e os países mais ricos, que forçaram mudanças significativas na declaração política final. Só hoje começa, noRio de Janeiro, a cimeira com a chegada de 94 líderes mundiais, entre os quais Passos Coelho. Mas o texto definitivo, intitulado "O Futuro Que Queremos", já eliminou do papel um conjunto de iniciativas.
Por exemplo, foi apagada a criação de um fundo ‘verde', com um valor inicial de 23,6 mil milhões de euros para o financiamento de projectos de sustentabilidade nos países pobres. O fundo, que deveria proteger recursos naturais, acabou por ser chumbado por europeus e norte-americanos que seriam os principais financiadores do projecto. "As dificuldades económicas internas", leia-se crise da dívida, justificou o veto dos países desenvolvidos. Este fundo ‘verde' era uma proposta do G-77 - grupo de países emergentes que inclui a China, Índia e Brasil - e previa um aumento dos recursos até aos 78 mil milhões de euros em 2020.
A União Europeia afirmou separadamente que as negociações futuras sobre o fundo deverão ser realizadas "a nível ministerial", e não por diplomatas. Os delegados europeus precisaram que não se opõem à criação de um mecanismo de financiamento sustentável dos países pobres, mas exigem que nações como o Brasil e a China também contribuam, uma vez que "já não podem ser considerados como economias menos desenvolvidas". E embora o documento da Rio+20 mantenha o conceito de "responsabilidades comuns, mas diferenciadas" - que estabelece que os mais países ricos devem contribuir mais do que os pobres -, não precisa onde se incluem as grandes economias emergentes dos BRICS (Brasil, Rússia, Índia e China).
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