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O Estado amortizou em Dezembro 3,5 mil milhões de dívidas à banca. Desde o pedido de resgate, o Estado já saldou 75% dos empréstimos.
O Estado amortizou 3,5 mil milhões de euros de dívida junto das instituições financeiras em Dezembro. Um valor recorde que baixa o montante dos empréstimos junto da banca para o nível mais baixo desde Novembro de 2010. No entanto, e apesar do que tem sido expresso pelo executivo de Passos Coelho, esta amortização de dívida não foi, até ao momento, canalizada para aumentar o financiamento às pequenas e médias empresas (PME) mas sim para aumentar a concessão de crédito às grandes empresas (acima de um milhão de euros).
Em Dezembro, o montante total de novo crédito concedido à economia aumentou 40% face ao mês anterior, segundo os dados do Banco de Portugal. Os bancos emprestaram 5,99 mil milhões de euros, mais 1,7 mil milhões do que em Novembro, dos quais 1,4 mil milhões foram dirigidos às grandes empresas. Ou seja, enquanto o financiamento às PME aumentou 8,7% no último mês do ano, a concessão de crédito às grandes empresas disparou 77%, para mais de 3,2 mil milhões de euros. Já aos particulares coube apenas 13% do financiamento total, o valor mais baixo desde que existem registos- Janeiro de 2003.
Contactado, o ministério das Finanças escusou-se a dar qualquer explicação sobre a proveniência dos 3,5 mil milhões de euros utilizados para amortizar dívidas. Por um lado, o Governo já deu indicações de que metade do valor dos fundos de pensões da banca transferidos para o Estado (num total de seis mil milhões de euros) seria utilizado para pagar dívidas aos bancos, libertando assim liquidez para a economia. Até agora foram transferidos 3,3 mil milhões de euros, no entanto, um analista contactado pelo Diário Económico refere que "isso faz sentido mas esse dinheiro deve estar ainda cativo. Penso que os bancos só receberão esse capital no decorrer do primeiro semestre deste ano".
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