Já se percebeu que os resultados dos bancos em 2011 foram maus. A tradição já não é o que era. Habituados a apresentarem milhões e mais milhões de lucros, desta vez deverá aparecer o sinal menos atrás dos valores na rubrica dos resultados líquidos.
A banca nacional está no vermelho. Em alguns casos, vão ter centenas de milhões mas de prejuízos. No entanto, é necessário ter cuidado para não ser alarmista. Pode parecer contraditório mas os bancos estão mais sólidos. São avaliações de natureza diferente.
A solidez do sistema financeiro é medida pelos rácios de capital e esses estão a subir por imposição da ‘troika' e da EBA - o regulador europeu. No final do ano passado, o ‘core tier I' subiu para 9% e no final deste ano será de 10% por determinação da ‘troika'. Pelas regras da EBA, os bancos são obrigados a ter um rácio de 9%, contemplando ainda uma almofada para precaver eventuais perdas com investimentos em dívida soberana. Em resumo, hoje os depositantes podem estar mais descansados porque o sistema financeiro tem mais dinheiro de lado para enfrentar eventuais problemas.
Já os lucros ou prejuízos derivam da actividade bancária e essa está ligada com a economia. Era difícil que os bancos tivessem bons resultados com o País mergulhado numa recessão profunda. Para mais, quando o sistema financeiro está obrigado pela ‘troika' a fazer uma desalavancagem financeira, ou seja, a reduzir o rácio de crédito sobre os depósitos para 120%. Perante isto, os bancos estão a cortar nos empréstimos e a subir juros para captar depósitos, esmagando margens. A isto, juntam-se as provisões para enfrentarem a subida do malparado no crédito que também afectam negativamente os resultados. E ainda outros dois factores: o impacto negativo da passagem dos fundos de pensões para o Estado e a regra de contabilização da dívida soberana da Grécia a preços de mercado.
Por tudo isto, percebe-se que é uma questão melindrosa. Os depositantes podem ficar preocupados perante as notícias de maus resultados. Assim, será necessária pedagogia na apresentação dos números. E os reguladores devem ser os principais responsáveis por garantir que tudo será bem explicado por forma a protegerem depositantes e investidores. Os primeiros sinais são preocupantes. O Banco de Portugal defende que os bancos coordenem a apresentação de resultados. E a CMVM vai ainda mais longe: quer um adiamento para Março, quando forem fechados os planos de recapitalização dos bancos, sendo também a altura em que se perceberá se necessitam do dinheiro do Estado. Isto não faz sentido. O adiamento da divulgação dos números terá o efeito de uma bomba de fumo, estimulando a ideia de que os bancos têm alguma coisa a esconder.
Carlos Costa e Carlos Tavares devem incentivar exactamente o oposto. Tudo deve decorrer como sempre aconteceu. Cada banco apresenta os seus resultados na altura habitual. A preocupação deve ser outra: explicar tudo ao pormenor. Em vez de adiar, devem-se mostrar e contextualizar os resultados. A confiança dos depositantes e dos investidores nos bancos aumentará na mesma medida da transparência. Esconder nunca foi uma boa solução.
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Bruno Proença, Director Executivo
bruno.proenca@economico.pt
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