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Renovação no BCP

Os perigos e as vantagens das transferências entre as grandes empresas

Tiago Freire  
28/12/07 01:05

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1 leitores

Há exemplos em todos os países, com a teoria a defender que quem contrata fica a ganhar.

O mundo dos negócios e o mundo do futebol têm algumas coisas em comum: salários elevados, pressão para obter resultados e uma multidão - de sócios ou de accionistas - a reclamar vitórias sobre os rivais históricos. Mas há também um mundo de diferenças e, pelo menos no que toca à realidade portuguesa, um ponto muitas vezes esquecido: as cláusulas de salvaguarda, alíneas nos contratos que impedem a saída, directa ou durante um tempo determinado, para a concorrência.

O exemplo mais mediático é o de José Mourinho, o treinador que abandonou o clube londrino Chelsea com a carteira recheada e o compromisso de, até final da época, não treinar qualquer outro clube que jogue na Premier League. A pena em caso de violação desta cláusula? Mais de 13 milhões de euros.

Num momento em que Carlos Santos Ferreira sai da CGD para o concorrente mais directo, o BCP, coloca-se a questão dos custos e das vantagens desta “transferência” no mercado de inverno. “Não conheço cláusulas desse tipo na banca nacional, mas isso é uma questão de direito dos contratos, dentro da liberdade contratual de cada um”, defende João Duque, especialista em banca e professor universitário. Nestes casos, e não havendo qualquer cláusula de salvaguarda, “a situação fica no plano da ética, sendo ainda mais relevante quando estamos a falar de presidentes de instituições, e não meros administradores”, defende João Duque. Para este especialista, é claro que quem contrata fica a ganhar. “Ao nível do conhecimento da estratégia da Caixa e também ao nível da carteira de clientes, parece-me claro que a CGD fica fragilizada, porque dificilmente o Dr. Santos Ferreira se esquecerá de tudo o que sabe”, acrescenta o professor.

Este tipo de situações é potenciado num mercado pequeno, “com uma base de recrutamento muito reduzida”, e em que “tudo acaba por ficar dependente de questões éticas”.



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