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13 Out 2013

Os mercados essenciais para os vinhos portugueses

Irina Marcelino
Os mercados essenciais para os vinhos portugueses

Um estudo encomendado pela ViniPortugal analisa quatro dos mercados com maior potencial para os vinhos portugueses.

s exportações de vinhos portugueses para o mundo voltaram a bater recordes em 2012. O valor atingido foi de 706 milhões de euros, mais 50 milhões que no ano anterior. O primeiro semestre deste ano augura um ano positivo, também. O valor das vendas ao exterior tinham atingido, até Julho, os 379 milhões de euros, mais 14 milhões do que em período homólogo do ano anterior.

Angola, Estados Unidos da América (EUA), Alemanha, Reino Unido, Canadá, Brasil, China (incluindo Hong Kong e Macau) e os países nórdicos são os países que na última década se destacaram na compra de vinhos portugueses. "Se tivermos em conta as exportações de Vinho do Porto mercados como a França, Bélgica e Holanda ganham grande relevância. No entanto a França, e também a Espanha, são mercados de destino de vinhos de menor valor acrescentado", explica Jorge Monteiro, presidente da ViniPortugal, associação interprofissional do sector vitivinícola que tem como objectivo promover e valorizar a marca Wines of Portugal.

Angola é hoje o segundo maior cliente de vinhos portugueses, atrás de França. Nos últimos anos conseguiu quadruplicar em volume e sextuplicar em valor as importações deste produto. Os mercados alemão e brasileiro cresceram a taxas anuais bastante elevadas, "sendo o vinho do Porto o grande responsável por estes resultados", lembra Jorge Monteiro, que destaca ainda os destinos China, Macau e Hong Kong que, apesar do valor um pouco mais baixo, "tiveram também uma evolução interessante".

Com o objectivo de promover os vinhos portugueses a nível internacional, a ViniPortugal definiu como estratégicos 11 mercados - 10 internacionais e, claro, Portugal. Estados Unidos, Brasil, Reino Unido, Angola, Alemanha, Canadá, Países Nórdicos (Suécia, Noruega, Finlândia ) e China (incluindo Hong Kong e Macau) são os países escolhidos pela associaçãopara promover os vinhos portugueses.

Também este ano, a ViniPortugal encomendou um estudo à consultora Wine Intelligence sobre quatro dos mercados com maior potencial para os vinhos portugueses: "o estudo da Wine Intelligence identifica a China e Brasil, dentro dos mercados emergentes, com potencial de crescimento, nos quais o vinho tem experimentado um crescimento rápido, a partir de uma base relativamente baixa. Mas o crescimento da sua importância vai depender sempre do crescimento das suas economias", considera o presidente da ViniPortugal. "Já os mercados dos EUA e Canadá são também mercados em crescimento, mas nos quais o vinho se tornou já um produto de moda. Os EUA em 2012 transformaram-se no maior importador mundial de vinho, em valor de importações". Em cada um destes países foi analisado o tipo de consumidores existentes, os que estão em ascensão e as suas preferências. Também foram analisadas as vantagens e desvantagens que os vinhos portugueses têm nestes países.

Uma das principais conclusões é que o segmento de mercado composto por pessoas com "alto envolvimento com vinho está em clara expansão nestes mercados. Este aspecto reforça a nossa aposta, uma vez que este é claramente o target da marca Vinhos de Portugal/Wines of Portugal. A Wine Intelligence destaca os EUA e o Canadá como mercado altamente atractivos para os vinhos portugueses, dando também grande relevância à ligação cultural entre o nosso país e o Brasil, que nos permite um posicionamento ímpar num mercado, onde há ainda muito a explorar", resume Jorge Monteiro.

Por outro lado, "o estudo aconselha os vinhos portugueses a diferenciarem-se pela proposta única que oferecem, devendo potenciar o conhecimento e a notoriedade das suas marcas e castas únicas nos principais mercados", resume Jorge Monteiro, que destaca ainda o "elogio" feito "à melhoria na qualidade e na adaptação das marcas ao mercado, que contrasta com a dispersão de esforços reconhecida".

Juan Park, consultor da Wine Intelligence, considera mesmo que "se um país trabalhar em conjunto a sua mensagem, será muito mais fácil comunicá-la. Portugal tem uma variedade incrível de vinhos que se forem apresentados de forma correcta, serão muito interessantes para os consumidores". Ao Diário Económico, o especialista lembrou que os vinhos portugueses ainda têm uma mensagem algo "complexa", mas que quando "lhes é dada a oportunidade de se explicarem, são muitíssimo interesantes, de grande valor e únicos. São bastante apreciados por críticos e especialistas por causa da sua diversidade". Mas não só. As qualidades únicas são também uma vantagem dos vinhos portugueses. É o caso do "baixo teor de álcool do vinho verde". No entanto, para se explicar toda esta variedade nomeadamente em novos mercados é preciso saber explicá-la bem e clarificar a mensagem que se pretende passar.

Angola
Vinhos portugueses lideram nos vinhos engarrafados

Angola é o primeiro mercado de exportação para os vinhos portugueses, com uma quota de 67,5%, no qual os vinhos de Portugal ainda encontram oportunidade de valorização. A ViniPortugal definiu um investimento de cerca 400 mil euros com o objectivo de potenciar um crescimento dos vinhos portugueses em 19% em valor num período de três anos. Angola tem-se afirmado enquanto destino dos vinhos nacionais, com um crescimento significativo nas vendas. A maior dificuldade deste mercado prende-se com a falta de ‘know-how' e pessoal qualificado na área de vinhos.

Brasil
Imagem dos vinhos portugueses é positiva

Continua a ser um dos principais mercados para os vinhos portugueses, pois tem vindo a apresentar uma elevada taxa de crescimento das exportações. No entanto em 2012 assistiu-se a uma estagnação. Os vinhos portugueses conseguiram um posicionamento alto no mercado brasileiro e Portugal é o quarto fornecedor deste produto no Brasil. Além disso, o vinho português tem um preço médio alto e uma conotação muito positiva neste mercado. O estudo da Wine Intelligence assinala a forte penetração dos vinhos de Portugal no Brasil e um positivo conhecimento de Portugal enquanto produtor de vinho.

Canadá
Consumidores jovens devem ser mais trabalhados

O mercado canadiano é muito atractivo para os vinhos portugueses. Cerca de 66,4% dos vinhos consumidos neste país são importados, sendo o Québec, Ontário e a British Columbia os maiores consumidores. Portugal tem uma quota de mercado de 3,43%. O Canadá afirmou-se como o melhor mercado em termos de preço médio nos dez mercados estratégicos. De acordo com o estudo da Wine Intelligence, os vinhos de Portugal têm tido um desenvolvimento positivo no mercado canadiano, que aprecia vinhos do antigo mundo. A faixa jovem dos consumidores canadianos poderá ser melhor explorada.

China
Exportações de vinhos em 2012 cresceram 25%

Afigura-se como o quinto principal mercado dos vinhos nacionais fora do espaço europeu. A China é um dos alvos prioritários da produção nacional. Englobando Hong Kong e Macau, este mercado representa quase 20 milhões de euros em valor para as exportações nacionais. Em 2012 assistiu-se a um crescimento de quase 25% no valor das exportações de vinhos portugueses para este mercado, à custa da subida do preço médio. O investimento e o dinamismo dos produtores portugueses no mercado chinês e de Macau influenciaram o crescimento do interesse deste mercado na produção nacional.

Estados Unidos América
Crescimento de 40% nas exportações até 2014

Os EUA são um mercado com elevado potencial de oportunidade e crescimento para as exportações da produção nacional. Posiciona-se actualmente como o quarto principal destino das exportações de vinho português, tendo crescido pouco mais que 8% em valor em 2012. É o alvo do maior investimento da promoção internacional de vinho português, no valor de dois milhões de euros, pois é um dos mais importantes mercados de exportação para os vinhos nacionais. Até 2014 espera-se um crescimento de 40%. É interessante registar a forma positiva como os vinhos portugueses têm sido acolhidos pela crítica especializada.

(artigo publicado no Suplemento Quem é quem nos Vinhos com a edição do Diário Económico de 8 de Outubro)

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