Manda a verdade reconhecer as contribuições positivas do pensamento liberal. Na esfera política, a liberdade de opinião e de expressão, a liberdade de organização de correntes políticas em partidos e o sufrágio universal, directo e secreto, constituiram contribuições fundamentais para o progresso da Humanidade.
Na esfera económica, a teoria subjectiva do valor, a Escola Marginalista, a ideia do equilíbrio geral e a defesa da liberdade de iniciativa foram contribuições relevantíssimas para a produção teórica das gerações do presente. Todavia, o pensamento liberal, por si só, não resolveu alguns problemas.
Não solucionou o problema da afectação justa e verdadeiramente equilibrada dos recursos, uma vez que a automaticidade dos mecanismos reequilibradores de mercado nem sempre funciona.
Não solucionou os problemas decorrentes da relevância da componente psicológica no comportamento dos agentes económicos, o que tem que ver com o comportamento "FTL"- ‘Follow the leader' e que explica aquilo que alguns autores designam de comportamento reflexivo no mercado financeiro.
Não solucionou os problemas resultantes do sindroma despesista, não permitindo que o Estado se substitua, automaticamente,pelo investimento privado sempre que tal seja considerado útil ou necessário pelos decisores políticos.
Não encontrou resposta para o facto de a verdadeira variável explicativa do investimento ser a expectativa de evolução da procura, como dizia-e bem- o nosso bom amigo Keynes.
Mas, para além de tudo isso, os liberais terão sempre muita dificuldade em compreender que, mau grado a tendência inexorável para a globalização, existem interesses nacionais que deveremos sempre procurar defender.
Churchill ou De Gaulle jamais aceitariam que o canal público de televisão viesse a ser controlado por uma empresa do Zimbabwe ou da República Centro-Africana.
Churchill ou De Gaulle jamais aceitariam que a Companhia de Transportes Aéreos Nacional fosse controlada pela Air France ou pela British Airways, respectivamente.
É claro que a ideia de que existem interesses estratégicos nacionais não faz sentido para os liberais e, enfim, para os que só pensam em termos da lógica dos mercados.
Mas, os que assim pensam concebem um País que não é o meu.
O meu País não se reconduz a essa lógica. O meu País é outro.
Nem mais, nem menos...
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António Rebelo de Sousa, Economista
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