Os últimos resultados do Barómetro de Maio da Marktest para o Diário Económico e TSF mostram uma subida vertiginosa das intenções de voto no Partido Social Democrata, agora liderado por um novo rosto.
Certamente que o agudizar da crise financeira e as medidas relativamente duras que o Governo teve de tomar para acalmar os mercados que financiam os nossos défices terá contribuído para o desgaste do Governo.
Mas penso que o factor mais relevante nesta alteração de humor do barómetro está na liderança de Pedro Passos Coelho no Partido Social Democrata.
Os eleitores não fidelizados a qualquer partido, que decidem afinal a vitória entre o Partido Socialista e o Partido Social Democrata, não se reviram na anterior liderança deste partido.
Os sinais que estes eleitores transmitem devem ser atentamente lidos pelos líderes. E esses sinais apontam para a exigência de os partidos se deixarem de guerrilhas estéreis e pensarem num projecto mobilizador para o País.
Ao colocar os interesses do País acima de cálculos partidários mesquinhos, aceitando uma foto com o primeiro-ministro para transmitir uma mensagem de estabilidade política, garante da credibilidade de medidas difíceis, o líder do Partido Social Democrata passou uma imagem de responsabilidade que se reflectiu rapidamente na subida das intenções de voto no seu partido. É um bom começo. Mas não basta.
A situação delicada que atravessamos criou também uma oportunidade, porventura uma última oportunidade, para empreender as reformas indispensáveis à adaptação da sociedade e do Estado ao novo fenómeno da globalização.
Para que essas reformas possam realizar-se com a urgência necessária, será preciso uma grande conjugação de esforços.
Os líderes dos partidos que aceitam as regras do Estado de Direito e da economia de mercado e que acreditam que é na iniciativa dos cidadãos e das empresas que reside o potencial para o crescimento da nossa economia, têm o dever de entender-se sobre o rumo, as metas e os instrumentos adequados para vencer as dificuldades.
Feito isto, que ganhe o que revelar maior capacidade para levar à prática o que tem de ser feito.
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Daniel Proença de Carvalho, Advogado
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