Finanças Pessoais

15/01/10 00:30

Os combustíveis de marca branca prejudicam o seu carro?

Marta Marques Silva

Um dado, pelo menos, parece certo: existem diferenças entre os produtos.

Os combustíveis de marca branca prejudicam o seu carro?

A polémica é tão antiga quanto os próprios combustíveis de marca branca. São os produtos comercializados nas áreas comerciais dos supermercados iguais aos das marcas de referência? Estes combustíveis prejudicam a mecânica do carro? Quanto à primeira questão parecem já existir poucas dúvidas: a resposta parece ser não. De acordo com Galp e com a Associação Nacional de Revendedores de Combustíveis, os produtos de marca são enriquecidos com aditivos que fazem a limpeza e manutenção dos motores, melhoram a performance do veículo e contribuem para a redução de emissões poluentes. O próprio presidente da Autoridade da Concorrência referia-se, em Outubro, aos produtos de marca branca como "produtos mais simples". E, em Junho, o Instituto Civil da Autodisciplina da Publicidade suspendia uma campanha do Jumbo onde este publicitava que "a única diferença entre o combustível do Jumbo e os outros é o preço", fazendo saber que "os produtos são distintos".

No entanto, esta "diferença" não implica necessariamente que os combustíveis de marca branca prejudiquem as componentes mecânicas do automóvel. Em declarações ao Económico, o grupo Auchan, detentor das áreas comerciais do Jumbo, refere que: "Os nossos combustíveis não prejudicam as mecânicas dos automóveis, uma vez que cumprem toda a legislação em vigor que assegura esta garantia. Temos, como qualquer operador neste mercado, vistorias por parte do Ministério da Economia e Inovação com o objectivo de verificar a conformidade dos nossos produtos e nunca foi levantada qualquer questão". Também o grupo Mosqueteiros diz estar "seguro que o produto cumpre os requisitos do decreto-lei nº 89/2008 de 30 de Maio".

Tendo em conta que as marcas brancas compram o combustível (sem aditivos) às petrolíferas, Galp, Repsol, BP, etc, o grupo Auchan levanta ainda uma questão pertinente: "Se esta aditivação é recente, e aparentemente praticada apenas por algumas companhias e não em todas as suas gasolineiras, então podemos concluir que ao longo dos últimos anos estas companhias têm vindo a comercializar um produto que danifica as mecânicas dos automóveis? Semelhante aquele que os hipermercados agora comercializam?".

O Diário Económico ouviu ainda os construtores automóvel GM, Toyota e Renault. Todos referem não se opor à utilização dos combustíveis de marca branca desde que estes cumpram com as normas e padrões de qualidade impostos pela legislação em vigor. De acordo com a Toyota, "todos os nossos motores estão optimizados para funcionarem com combustíveis enquadrados nas normas em vigor". E a Renault acrescenta ainda que "um utilizador de combustíveis de marca branca beneficia do mesmo tipo de garantias contratuais com a excepção (válida para qualquer combustível de marca branca ou não) da utilização de combustíveis adulterados".

 

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