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O presidente Obama concentrou o seu discurso, no Congresso, na reforma fiscal e no combate ao défice e ao desemprego.
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O presidente norte-americano Barack Obama deixou ontem claro que as dificuldades financeiras da zona euro estão muito longe de figurar na lista de prioridades de Washington.
No tradicional discurso do Estado da União, na madrugada de ontem, Obama apenas mencionou uma vez a Europa, para dizer que a aliança transatlântica "está mais forte do que nunca", ignorando qualquer cenário de contágio da crise do euro ao outro lado do Atântico. Durante os 65 minutos da intervenção no Congresso, apenas seis foram dedicados à política externa dos EUA. E teve direito a uma ovação de pé de democratas e republicanos sobre a Primavera Árabe e o Irão. "Não tenho dúvidas que em breve o regime de Assad irá descobrir que as forças da mudança não são reversíveis", disse Obama sobre a vaga de confrontos na Síria, antes de endurecer o discurso sobre o Irão. "A América está determinada em impedir que o Irão obtenha armas nucleares e não descarto nenhuma opção para atingir esse objectivo", uma frase que admite o uso da força militar contra Teerão
Num discurso para consumo interno, os analistas indicam que Obama usou o Estado da União para iniciar a campanha das presidenciais de Novembro. O principal argumento defendido pelo presidente foi a necessidade de iniciar uma reforma fiscal que permita que "pessoas como eu paguem a nossa parte justa em impostos", devendo ser seguida a ‘Regra de Buffett' de que "todos os que ganham mais de um milhão por ano não devem pagar menos de 30% em impostos". A iniciativa é vista como um ataque directo a Mitt Romney, favorito a ser o candidato republicano à presidência, que revelou só ter pago 13,9% de IRS em 2010 sobre os 16 milhões de euros que ganhou. "Quando um dos candidatos republicanos mais importante é um multimilionário que paga menos de 14% em impostos, a questão da justiça fiscal é um bom assunto para ser levantado por Obama", diz Gary South, presidente da consultora com mesmo nome.
Obama atacou ainda o rival republicano na questão do desemprego, relembrando que, no semestre antes de tomar posse, "os EUA perderam quatro milhões de empregos". Estas declarações surgem na sequência de uma troca de acusações no ‘Twitter' entre David Axelrod, estratega sénior de campanha do presidente, e Eric Fehrnstrom, conselheiro de Romney, onde o republicano afirmou que Obama havia perdido 1,7 milhões de empregos nos quatro anos em que ocupou a presidência.
O presidente começou ontem uma viagem de três dias a cinco dos mais importantes estados eleitorais dos EUA, onde irá continuar a defender a justiça fiscal. "O público deseja políticos que promovam a equidade, já que não quer ver políticas que têm como objectivo dar mais dinheiro dos contribuintes para os ricos. Infelizmente, não é claro quais as políticas concretas que o presidente está a propor para este fim", nota Dean Baker, co-director do Centro para a pesquisa política e económica (CEPR).
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