Numa entrevista recente ao “ABC” o actual ministro espanhol da economia dizia: “Não existem soluções mágicas, mas apenas um caminho de saída”.
A afirmação é sintomática do triunfo da tecnocracia. Um triunfo que se faz não propriamente à custa da democracia, mas à custa da política.
A crise da dívida só encontra igual na crise de ideias. No início do mês o editor do "Telegraph" acusava Cameron de também ter sido infectado pela doença da tecnocracia. A obsessão pela austeridade faz esquecer o essencial: "Só a reforma pode transformar os países". A verdade é que hoje não há nem ideias nem líderes inspiradores. E, a ilusão de que a Europa poderá ser salva por uma "brigada de mini-Montis" faria corar os pais fundadores do projecto europeu. Nesses tempos discutiam-se grandes ideias, sendo a maior das quais a paz na Europa - algo de que andamos perigosamente esquecidos. Hoje, porém, é o tempo dos técnicos. E estes não só não discutem ideias como não as discutem com os eleitores. E a crença de que não há senão uma solução técnica comporta perigos enormes para a democracia liberal. Essa é, afinal, a crença típica de todos os socialismos, desde Saint-Simon. Os tecnocratas parecem impor-se. Porém, como no velho triunfo romano, ao lado do vitorioso vai o vencido, lembrando-lhe que ele não é mais que pó.
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José Castello Branco, Especialista em Assuntos Europeus da Universidade Católica
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